Figura humana vermelha em destaque entre várias figuras brancas de papel interligadas, simbolizando diversidade, inclusão social e protagonismo em grupos sociais
Figura humana vermelha em destaque entre várias figuras brancas de papel interligadas, simbolizando diversidade, inclusão social e protagonismo em grupos sociais

Após pressão de organizações sociais, Fundo Positivo suspende edital para projetos em HIV, aids e tuberculose

Cancelamento de edital reacende debate sobre participação social

O Fundo Positivo anunciou o cancelamento de um edital voltado ao financiamento de projetos nas áreas de HIV, aids e tuberculose após manifestações públicas de movimentos sociais e organizações da sociedade civil. A decisão ocorre em um contexto de crescente vigilância social sobre políticas de financiamento em saúde pública e evidencia tensões históricas entre gestores de recursos e grupos que atuam diretamente na linha de frente do enfrentamento dessas doenças no Brasil.

A suspensão do edital foi comunicada após críticas relacionadas aos critérios estabelecidos e à forma como o processo foi conduzido, levantando questionamentos sobre transparência, equidade e diálogo com populações mais impactadas pelas epidemias.

Críticas apontam riscos à resposta comunitária

Movimentos sociais que atuam no campo do HIV, aids e tuberculose demonstraram preocupação com possíveis impactos negativos do edital sobre a sustentabilidade de projetos comunitários. De acordo com essas organizações, o modelo proposto poderia enfraquecer iniciativas historicamente conduzidas por entidades de base, que desempenham papel central na prevenção, no acolhimento e na defesa de direitos de populações vulnerabilizadas.


Especialistas em saúde coletiva avaliam que a resposta a epidemias como HIV e tuberculose depende fortemente do trabalho comunitário, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais, raciais e regionais. A ausência de diálogo prévio e de mecanismos de escuta ativa foi apontada como um dos principais fatores que motivaram a reação negativa ao edital.

Financiamento em saúde e cenário internacional

O episódio ocorre em um momento delicado para o financiamento de políticas de saúde, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Conflitos armados, crises humanitárias e tensões econômicas globais têm levado grandes potências e organismos multilaterais a redirecionar recursos, afetando programas voltados ao combate de doenças infecciosas em países de renda média e baixa.

Nesse contexto, fundos privados e parcerias público-privadas passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante. No entanto, especialistas alertam que esses mecanismos precisam operar em alinhamento com princípios de justiça social, participação comunitária e fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, sob risco de aprofundar desigualdades já existentes.

Impactos sociais e necessidade de reconstrução do diálogo

A decisão do Fundo Positivo de cancelar o edital foi recebida de forma cautelosa por organizações sociais. Embora vista como um reconhecimento das críticas apresentadas, a medida também gera incertezas sobre a continuidade do apoio financeiro a projetos essenciais para a resposta ao HIV, à aids e à tuberculose.

Para lideranças do movimento social, o episódio reforça a importância de processos participativos na formulação de editais e políticas de financiamento. A construção conjunta de critérios e prioridades é apontada como caminho para evitar conflitos futuros e garantir que recursos cheguem efetivamente às populações mais afetadas.

Próximos passos e reflexões

O cancelamento do edital abre espaço para a retomada do diálogo entre o Fundo Positivo e a sociedade civil organizada. A expectativa é que novas propostas sejam elaboradas a partir de processos mais transparentes e inclusivos, capazes de conciliar eficiência na gestão de recursos com sensibilidade social.

Em um cenário global marcado por desafios sanitários persistentes e instabilidade econômica, decisões sobre financiamento em saúde ultrapassam aspectos técnicos e assumem dimensão política e humanitária. O caso evidencia que, sem escuta qualificada e participação social, mesmo iniciativas bem-intencionadas podem gerar rupturas e comprometer respostas fundamentais à saúde pública.