O caso do deputado federal João Alves de Almeida entrou para a história política brasileira tanto pelo envolvimento no esquema de corrupção conhecido como “Anões do Orçamento” quanto pela curiosa justificativa que ele usou para tentar explicar sua fortuna na época: alegar que tinha ganhado mais de 200 vezes na loteria.
João Alves, que foi deputado pelo estado da Bahia durante vários mandatos até sua renúncia em 1994, era apontado como um dos líderes do grupo de parlamentares que manipulava emendas ao orçamento para desviar recursos públicos. Ao ser questionado sobre seu patrimônio elevado, o político justificou que sua renda vinha de sucessivos prêmios de loterias, declaração que ficou marcada justamente por sua improbabilidade e pelo contexto de investigação sobre corrupção.
Esquema dos Anões do Orçamento
O episódio que ficou conhecido como Anões do Orçamento ocorreu no início dos anos 1990, quando um grupo de deputados era acusado de articular a aprovação de emendas parlamentares com uso de entidades “fantasmas” e favorecimento de empreiteiras, resultando em desvio de verbas públicas por meio de mecanismos de aprovação no Congresso. O nome do grupo vinha da estatura baixa de muitos dos envolvidos, mas o significado estava na atuação do esquema.
Durante as investigações, parte dos parlamentares envolvidos foi cassada ou renunciou para evitar a perda do mandato. João Alves renunciou antes da cassação e escapou da perda dos direitos políticos naquele momento, apesar de as investigações terem ligado sua trajetória política às práticas questionadas no esquema.
Justificativas incomuns e repercussão
A alegação de múltiplos prêmios de loteria foi amplamente discutida e lembrada ao longo dos anos como uma tentativa de desviar a atenção das suspeitas de enriquecimento ilícito. Embora nunca tenha sido comprovado que os supostos prêmios existiram de fato, a frase e o relato entraram para a memória de parte da imprensa e dos analistas políticos como um episódio inusitado e simbólico do escândalo.
Esse caso é frequentemente citado em análises históricas sobre corrupção no Brasil como exemplo de como práticas irregulares no Legislativo — e justificativas atípicas — marcaram os debates sobre ética pública nas últimas décadas.
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