Uma proposta em tramitação no Congresso Nacional institui o programa Mais Dentistas para o Brasil, com o objetivo de ampliar o acesso da população aos serviços de saúde bucal, especialmente em regiões com déficit de profissionais. A iniciativa busca fortalecer a atenção primária, reduzir desigualdades regionais e integrar a odontologia às estratégias de promoção da saúde no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ampliação da cobertura e foco regional
O desenho do programa prioriza municípios com maior vulnerabilidade social e baixa oferta de atendimento odontológico. A lógica segue experiências anteriores de provimento de profissionais na atenção básica, apostando na fixação de dentistas em áreas remotas e periféricas. A expectativa é que a ampliação da cobertura reduza filas, agilize atendimentos preventivos e diminua a incidência de doenças bucais que afetam a qualidade de vida e a produtividade da população.
Dados do setor indicam que problemas odontológicos estão entre as principais causas de afastamento escolar e laboral, com impacto direto nos indicadores sociais. Ao reforçar a presença de dentistas na rede pública, o programa pretende atacar um gargalo histórico do SUS.
Integração com políticas de saúde e formação
A proposta prevê integração com políticas já existentes de atenção básica e com ações de formação e qualificação profissional. A articulação com universidades e instituições de ensino técnico é vista como estratégica para garantir atualização contínua e padronização de protocolos clínicos. Além disso, mecanismos de incentivo à permanência dos profissionais nas localidades atendidas buscam evitar alta rotatividade.
Especialistas apontam que a saúde bucal, quando integrada a programas de prevenção e educação em saúde, contribui para a redução de custos no médio e longo prazo. Investimentos em prevenção tendem a diminuir procedimentos de maior complexidade e gastos hospitalares associados a infecções e complicações.
Contexto internacional e impacto econômico
Em diversos países, políticas públicas voltadas à odontologia comunitária têm sido incorporadas a estratégias mais amplas de saúde pública. Na Europa e em partes da América Latina, programas de prevenção bucal são reconhecidos como instrumentos de redução de desigualdades e melhoria de indicadores de bem-estar. O Brasil, ao ampliar o acesso, alinha-se a essas práticas, reforçando compromissos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Do ponto de vista econômico, o fortalecimento da saúde bucal impacta positivamente a renda e a empregabilidade, ao reduzir afastamentos e melhorar a autoestima dos trabalhadores. Também há potencial de estímulo ao mercado de trabalho na área da saúde, com geração de vagas e circulação de renda em municípios menores.
A tramitação do projeto envolve debates sobre financiamento, gestão e articulação federativa. Um dos desafios será assegurar recursos estáveis e monitoramento eficiente para evitar disparidades na execução. A coordenação com estados e municípios será determinante para transformar a proposta em resultados concretos.
Se implementado de forma consistente, o Mais Dentistas para o Brasil pode representar um avanço estrutural na política de saúde, com impactos sociais duradouros. O desfecho do debate legislativo indicará o grau de prioridade que o país atribui à saúde bucal como componente essencial do cuidado integral.





































































