Em meio à composição de uma aliança que reúne diversas legendas em torno da sua campanha à reeleição ao governo de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas — do Republicanos — optou por não antecipar o nome que deverá ocupar a vaga de vice-governador na sua chapa. A decisão, segundo interlocutores próximos, deve ser construída em consenso entre as forças políticas que apoiam sua candidatura, em um cenário de negociações que ganha contornos cada vez mais estratégicos nesta fase pré-eleitoral.
Aliança ampla, definição tardia
Tarcísio reforçou que uma definição clara sobre quem ocupará o posto de vice — essencial para equilibrar representações políticas e eleitorais — ficará para um momento futuro. O governo estadual projetou uma frente que inclui partidos como o PL, cujo peso interno será decisivo, conforme observa a base aliada. A escolha deverá também considerar os acordos de apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que incorpora a agenda de unificação do campo conservador contra o atual governo federal.
A cautela em adiar o anúncio do vice reflete um cálculo político mais amplo: acomodar lideranças seniores dentro de um bloco que busca maximizar vantagens em um ambiente competitivo e polarizado, em que cada legenda mira posições de destaque no palanque e maior tempo de televisão para suas pautas.
Nomes em discussão e equilíbrio interno
Entre os quadros mais citados como potenciais candidatos à vice-governadoria estão o atual vice-governador Felício Ramuth (PSD), que já exerce o cargo com amplo domínio administrativo e estreita relação com Tarcísio, e o secretário de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab, também presidente nacional do PSD. A presença de Ramuth, especialmente, agrada parcelas do eleitorado que valorizam continuidade em políticas públicas de habitação e mobilidade urbana — áreas em que a gestão estadual tem atuado com forte interlocução municipal.
Outro nome ventilado por aliados é o do deputado estadual André do Prado (PL), indicado pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. A diversidade de opções traduz o esforço das lideranças em equilibrar representações entre as forças que integram a coalizão, sem sacrificar adesões que podem garantir capilaridade política no interior paulista e nos principais colégios eleitorais.
Estratégia eleitoral e cenário nacional
A postergação da escolha do vice também se insere num contexto mais amplo de articulações políticas no Brasil em 2026, ano em que diversos estados cruzam seus calendários com as eleições presidenciais. A reta final de definição de alianças nacionais — que incluem negociações de inserções em palanques federais e estaduais — pode influenciar pactos regionais e pactos internos. A postura de Tarcísio de manter a questão em aberto, por ora, pode ser interpretada como tentativa de maximizar flexibilidade estratégica e evitar fissuras em um momento de intensa disputa partidária.
No plano nacional, esse tipo de escolha reverbera frente às expectativas de consolidação de blocos políticos mais amplos, que competem por protagonismo frente a temas socioeconômicos sensíveis ao eleitorado — como segurança, inflação e políticas públicas regionais — e à pressão por alianças capazes de enfrentar desafios no plano federal e estadual.
Caminhos à frente
Com o calendário eleitoral se aproximando, a decisão sobre o vice ganhará ainda mais relevância, não apenas como peça de estratégia eleitoral, mas como sinalizador de prioridades e consensos dentro da ampla base aliada. A capacidade de conciliar interesses internos, ao mesmo tempo que se projeta um projeto de governo coeso, será um fator crucial para as chances eleitorais de Tarcísio e seu grupo. A forma como esse cenário se desenrolará — especialmente com olhares atentos à composição de palanques e suas repercussões no quadro político nacional — promete apontar rumos importantes para o Brasil em 2026 e além.





































































