Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) revela que 8 em cada 10 indústrias brasileiras que tentaram obter crédito em 2025 enfrentaram dificuldades, com juros altos sendo apontados como o principal entrave pelos empresários consultados.
Juros elevados aparecem como principal obstáculo
Segundo a sondagem especial sobre Condições de Acesso ao Crédito em 2025, cerca de 80% das empresas industriais que tiveram dificuldade em obter crédito de curto ou médio prazo citaram os juros elevados como o maior problema, superando outras barreiras como exigência de garantias e falta de linhas adequadas ao porte das empresas.
Além disso, quando o foco é o crédito de longo prazo (acima de cinco anos), a mesma pesquisa aponta que 71% dos industriais também responsabilizam os juros altos pelo entrave no financiamento.
Garantias e falta de linhas também complicam acesso ao crédito
Após os juros, os principais fatores apontados pelos empresários como obstáculos ao crédito foram:
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Exigência de garantias reais, como imóveis ou equipamentos, citadas por cerca de 32% dos entrevistados;
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Falta de linhas de crédito adequadas às necessidades produtivas, apontada por aproximadamente 17% das empresas.
Esses entraves se repetem tanto em operações de financiamento de curto/médio prazo quanto em créditos de longo prazo, dificultando a obtenção de recursos para investimentos industriais em geral.
Menos empresas buscam crédito diante do ambiente restritivo
O levantamento também mostra que, em um ambiente de juros elevados, muitas empresas acabam não buscando crédito por conta própria. Entre fevereiro e julho de 2025, mais da metade das empresas industriais não tentou contratar ou renovar crédito de longo prazo, e quase metade não procurou financiamento de curto ou médio prazo.
Entre as empresas que realmente buscaram financiamento, os índices de frustração também foram altos: cerca de um terço dos pedidos de crédito de longo prazo não tiveram êxito, e cerca de um quinto das tentativas de crédito de curto ou médio prazo foram negadas ou fracassaram.
Impacto da política monetária e da Selic elevada
Analistas da CNI destacam que o patamar elevado da taxa básica de juros (Selic) no Brasil — mantido em níveis altos para conter a inflação — é um fator determinante para o encarecimento do crédito e a consequente dificuldade de acesso. Esse cenário de custos financeiros altos desestimula investimentos em expansão produtiva e inovação, com consequências negativas para a competitividade da indústria no mercado doméstico e internacional.
🧩 Encerramento
O retrato traçado pela pesquisa da CNI evidencia um ambiente de crédito caro e seletivo para as indústrias brasileiras em 2025, com juros altos e condições rígidas de financiamento limitando o acesso a recursos que poderiam impulsionar investimentos e modernização do setor. A combinação de juros elevados e falta de linhas adequadas continua sendo um entrave persistente para o desenvolvimento industrial.






































































