Pessoa utiliza cartão bancário e aplicativo financeiro no celular, com calculadora e documentos sobre a mesa, em ambiente neutro e enquadramento horizontal 16:9.
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Alta do IOF reforça arrecadação e reacende debate sobre custo do crédito no Brasil

A elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ao longo de 2025 teve efeito direto sobre o caixa do governo federal, resultando em um crescimento expressivo da arrecadação desse tributo. O desempenho reforçou o papel do imposto como instrumento rápido de ajuste fiscal, mas também reacendeu discussões sobre seus efeitos colaterais na economia real, especialmente no custo do crédito para famílias e empresas.

IOF como ferramenta de curto prazo

O IOF incide sobre operações como empréstimos, câmbio, seguros e investimentos, o que permite impacto quase imediato na arrecadação. Segundo dados oficiais da Receita Federal, a alta das alíquotas contribuiu para um aumento relevante da receita do imposto em comparação com 2024, ajudando a compensar frustrações em outras fontes tributárias.

Impactos no crédito e no consumo

Especialistas avaliam que o crescimento da arrecadação veio acompanhado de um efeito restritivo sobre o crédito. Empréstimos pessoais, financiamentos e operações de curto prazo ficaram mais caros, afetando principalmente consumidores de renda média e pequenos empreendedores. Em um cenário de juros ainda elevados, o IOF mais alto ampliou o custo final das operações financeiras, com reflexos no consumo e nos investimentos.


Contexto fiscal e escolhas políticas

A decisão de elevar o IOF ocorreu em um ambiente de forte pressão sobre as contas públicas. Com dificuldades para avançar em reformas estruturais de curto prazo, o governo optou por medidas com efeito imediato. Analistas observam que, embora eficaz no curto prazo, o uso recorrente do IOF como ferramenta fiscal pode gerar distorções e reduzir a previsibilidade do ambiente econômico.

O desempenho do IOF em 2025 evidencia o dilema da política fiscal brasileira: equilibrar arrecadação e crescimento econômico. Para 2026, o debate deve se intensificar, com pressão por soluções mais estruturais que reduzam a dependência de tributos de impacto direto sobre o crédito e o consumo, preservando a sustentabilidade das contas públicas sem ampliar desigualdades.