Lula diz que Carta da ONU está sendo “rasgada” e que lei do mais forte prevalece nas relações internacionais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada” e que a chamada “lei do mais forte” tem prevalecido nas relações internacionais diante de práticas unilaterais de potências, criticando a falta de respeito ao multilateralismo e defendendo a necessidade de fortalecer a governança global.

Críticas à postura de países centrais

Em discurso durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador (BA), Lula afirmou que o mundo enfrenta um momento “muito crítico” na política mundial e que o multilateralismo — sistema pelo qual as decisões são tomadas em conjunto entre países — está sendo substituído por ações unilaterais que, na visão dele, colocam em risco a ordem internacional baseada na Carta da ONU.

Segundo o presidente, iniciativas recentes propostas por líderes de potências, como a ideia de criar uma nova entidade internacional liderada por um único país, sinalizam esse enfraquecimento das instituições multilaterais, com ganhos de poder concentrados em poucos atores no cenário global.


Defesa do multilateralismo e diálogo internacional

Lula ressaltou que o Brasil tem buscado fortalecer o multilateralismo por meio de contato com líderes de diferentes países, e que a solução para conflitos e desafios globais deve ser construído por meio de diálogo e cooperação entre nações. Ele informou que tem conversado com chefes de Estado em diversas regiões para articular uma resposta à tendência que considera prejudicial de “lei do mais forte”.

O presidente também destacou que sua proposta de reformas na ONU visa ampliar a participação de países emergentes no processo de tomada de decisões, o que, na avaliação dele, pode tornar a instituição mais representativa e eficaz frente aos desafios contemporâneos.

Posicionamento do Brasil sobre soberania e relações externas

Lula afirmou que o Brasil não deseja subordinar-se a qualquer poder ou alinhamento exclusivo, e que o país busca manter relações diplomáticas com diferentes potências e blocos do mundo, independentemente de suas orientações ideológicas. No entanto, ele frisou que o Brasil rejeita qualquer tentativa de imposição de vontade ou dominação que possa minar a soberania dos Estados, reforçando a importância de uma ordem internacional baseada no respeito mútuo.

A declaração ocorre em um contexto em que debates sobre governança global, papel da ONU e propostas de novos mecanismos de cooperação internacional têm ganhado destaque entre líderes globais, refletindo tensões entre abordagens multilaterais tradicionais e iniciativas unilaterais de grande impacto.