Sala de estar contemporânea com móveis de madeira, muitas plantas naturais, iluminação abundante e decoração minimalista que transmite conforto e acolhimento.
Sala de estar contemporânea com móveis de madeira, muitas plantas naturais, iluminação abundante e decoração minimalista que transmite conforto e acolhimento.

Decoração em 2026 reflete bem-estar, sustentabilidade e novos hábitos globais

A decoração em 2026 se consolida como um reflexo direto das transformações sociais, econômicas e culturais vividas nos últimos anos. Em um cenário internacional marcado por conflitos armados prolongados, tensões comerciais entre grandes potências e instabilidade econômica, o lar assume papel central como espaço de acolhimento, proteção emocional e funcionalidade. Mais do que estética, as escolhas decorativas revelam valores, prioridades e estratégias de adaptação ao mundo contemporâneo.

Arquitetos, designers e especialistas em comportamento apontam que as tendências do ano dialogam fortemente com bem-estar, consumo consciente e flexibilidade, acompanhando mudanças no trabalho, nas relações sociais e na forma como as pessoas se conectam com o espaço doméstico.

Cores acolhedoras e materiais naturais

Em 2026, a paleta de cores prioriza tons terrosos, verdes suaves, azuis profundos e variações de areia e argila. Essas escolhas remetem à natureza e ajudam a criar ambientes mais calmos, em contraste com o clima global de incerteza. Materiais naturais como madeira, pedra, fibras vegetais e tecidos orgânicos seguem em alta, não apenas pelo apelo estético, mas também pela busca por soluções sustentáveis em meio a cadeias produtivas pressionadas por conflitos geopolíticos e mudanças climáticas.


Sustentabilidade como critério central

A sustentabilidade deixa de ser tendência e se torna critério básico. Móveis duráveis, peças reaproveitadas, produção local e objetos com menor impacto ambiental ganham espaço. Esse movimento acompanha políticas internacionais de redução de emissões e debates sobre responsabilidade ambiental, reforçados por acordos multilaterais e pressões econômicas sobre setores industriais.

No Brasil e no mundo, cresce a valorização de marcas que adotam transparência na produção e promovem economia circular. Na decoração, isso se traduz em menos descartes e mais escolhas conscientes.

Ambientes flexíveis e multifuncionais

A consolidação do trabalho híbrido e remoto influencia diretamente o design de interiores. Ambientes multifuncionais — como salas que se transformam em escritórios ou quartos com áreas de estudo integradas — tornam-se padrão. Móveis modulares, soluções inteligentes de armazenamento e layouts adaptáveis refletem a necessidade de otimizar espaços, especialmente em centros urbanos impactados por custos elevados de moradia.

Essa flexibilidade também responde a mudanças demográficas e sociais, como famílias menores, envelhecimento da população e novas formas de convivência.

Afeto, identidade e imperfeição

Outra marca forte da decoração em 2026 é o resgate do afeto. Objetos com história, peças artesanais, memórias de família e elementos que carregam identidade pessoal ganham destaque. Em oposição a ambientes excessivamente padronizados, cresce a valorização do “imperfeito”, do feito à mão e do que transmite autenticidade.

Especialistas observam que essa tendência dialoga com um movimento global de resistência à padronização cultural, reforçado por tensões políticas e disputas identitárias em diferentes regiões do mundo.

As tendências de decoração em 2026 mostram que o design de interiores vai além da aparência: ele responde a crises, mudanças econômicas e necessidades humanas profundas. Em um mundo instável, o lar se transforma em espaço estratégico de equilíbrio, conforto e expressão individual, revelando como escolhas cotidianas também são influenciadas pelo cenário global.