Grupo de mulheres reunidas em atividade de capacitação do programa Defensoras Populares do Campo, iniciativa do Ministério da Justiça para fortalecimento da defesa de direitos em áreas rurais do Brasil
Grupo de mulheres reunidas em atividade de capacitação do programa Defensoras Populares do Campo, iniciativa do Ministério da Justiça para fortalecimento da defesa de direitos em áreas rurais do Brasil

“Defensoras Populares do Campo” qualifica mulheres para defender direitos em áreas rurais

Ao longo de 2025 e no início de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) colocou em prática um programa pioneiro voltado ao fortalecimento jurídico de lideranças femininas em contextos rurais e tradicionais no Brasil. A iniciativa batizada de Defensoras Populares do Campo busca capacitar mulheres para atuar na defesa de direitos humanos e no acesso à justiça em áreas geográficas marcadas por desigualdades históricas e desafios de inclusão social.

Formação ampla e presença em todo o país

O projeto piloto congrega um grupo de 70 mulheres bolsistas, distribuídas em 25 unidades da federação e no Distrito Federal, cobrindo as cinco grandes regiões brasileiras. Essa diversidade de representação permite que a formação dialoge com realidades sociais e econômicas muito distintas, desde comunidades do Nordeste até assentamentos no Centro-Oeste ou territórios tradicionais no Norte do país. Essa amplitude territorial reforça a capacidade das participantes de transferir conhecimentos e práticas diretamente para seus próprios contextos locais.

O percurso formativo integra três dimensões: encontros virtuais que permitem a construção teórica de conhecimento, atividades presenciais e ações voltadas ao território, promovendo um contínuo intercâmbio entre teoria e prática ao longo do primeiro trimestre de 2026. Esse método busca não apenas transmitir conceitos, mas fomentar redes de apoio e multiplicação de saberes dentro de cada comunidade.


Papel estratégico das defensoras e empoderamento comunitário

O cerne da proposta é ampliar o protagonismo feminino na mediação de conflitos, na prevenção de violências de gênero e na orientação sobre direitos fundamentais. Ao transformar as participantes em multiplicadoras de informação e articuladoras de redes de proteção social, o programa atua diretamente na redução de vulnerabilidades e no fortalecimento de capacidades comunitárias.

Essa estratégia ganha relevância ainda maior quando se considera os padrões de exclusão que caracterizam muitas regiões rurais, onde o acesso à justiça e aos serviços públicos pode ser mais restrito e burocrático. Ao empoderar agentes locais com formação jurídica, a iniciativa contribui para o incremento de mecanismos internos de resolução de conflitos e para a defesa de direitos ligados à terra, trabalho e segurança comunitária.

Conexão com agendas mais amplas de direitos humanos

Projetos como o Defensoras Populares do Campo ecoam debates internacionais sobre inclusão e justiça social — temas que têm ganhado destaque em plataformas como as Nações Unidas e em redes internacionais de promoção dos direitos das mulheres. Em várias partes do mundo, programas similares são utilizados para enfrentar desigualdades estruturais e integrar populações periféricas ou rurais às instâncias formais de garantia de direitos. Ao investir em formação com perspectiva de gênero e territorialidade, o MJSP dialoga com essas tendências globais de políticas públicas centradas na cidadania ativa e no fortalecimento social.

Perspectivas e desafios para continuidade

Embora ainda em fase piloto, o programa demonstra a importância de iniciativas de formação com impacto comunitário direto em contextos vulneráveis. A replicação de sua metodologia em outras regiões e a avaliação sistemática dos resultados — como a ampliação do acesso à justiça ou a efetividade na prevenção de conflitos — são desafios que podem moldar futuras políticas governamentais.

A expansão das Defensoras Populares do Campo nos próximos anos pode potencialmente transformar o modo como comunidades rurais brasileiras confrontam desigualdades e acessam seus direitos, contribuindo para a construção de uma justiça social mais equitativa e próxima da realidade cotidiana de milhares de famílias. Essa perspectiva coloca o projeto no centro de um debate mais amplo sobre participação cidadã, igualdade e desenvolvimento sustentável no Brasil e além.