Coluna Saúde Ativa, por Anttonio Rosa
Dados do Vigitel 2024 mostram que mais de 60% dos adultos brasileiros estão acima do peso; obesidade e doenças crônicas avançam no país
Os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde acenderam um sinal de alerta que não pode mais ser ignorado: o Brasil está cada vez mais acima do peso. Dados do Vigitel 2024, apresentados em 28 de janeiro de 2026, mostram que mais de 60% da população adulta brasileira já vive com sobrepeso ou obesidade. Trata-se de um problema que vai muito além da estética e impacta diretamente a saúde, a qualidade de vida e o sistema público de saúde.
Segundo o levantamento, 62,6% dos adultos estão acima do peso. O dado mais preocupante, no entanto, é o avanço acelerado da obesidade. Em 2006, o índice era de 11,8%. Em 2024, saltou para 25,7%, praticamente dobrando em menos de duas décadas. Esse crescimento revela uma mudança profunda no estilo de vida da população, marcada por alimentação inadequada, sedentarismo, jornadas exaustivas e níveis elevados de estresse.
O excesso de peso está diretamente associado ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis. O diabetes cresceu 135% entre 2006 e 2024, atingindo 12,9% dos adultos. A hipertensão também avançou de forma significativa, com aumento de 31% no mesmo período. São condições que comprometem a saúde individual, reduzem a expectativa de vida e ampliam os custos do sistema de saúde.
Quando o assunto é alimentação, o cenário segue preocupante. O consumo regular de frutas e verduras permanece baixo e praticamente estagnado: passou de 33% em 2008 para 31,4% em 2024. Isso indica que a maioria dos brasileiros ainda está distante de uma alimentação baseada em alimentos naturais e minimamente processados. Em contrapartida, há um dado positivo: o consumo de refrigerantes caiu de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024, sinalizando uma mudança gradual de comportamento.
Outro ponto que merece destaque é a prática de atividade física. O Vigitel mostra que 42,3% dos entrevistados realizam pelo menos 150 minutos semanais de exercícios no tempo livre. Ainda não é o ideal, mas representa um avanço importante e demonstra maior conscientização sobre a importância do movimento para a saúde.
O levantamento também trouxe à tona um fator frequentemente negligenciado: o sono. Cerca de 20,2% dos adultos nas capitais brasileiras dormem menos de seis horas por noite. Além disso, 31,7% relatam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres. A ciência já é clara ao afirmar que a privação e a má qualidade do sono aumentam o risco de obesidade, diabetes, hipertensão e outros problemas metabólicos.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde tem reforçado políticas públicas voltadas à prevenção de doenças crônicas. Iniciativas como o programa Viva Mais Brasil buscam estimular hábitos saudáveis por meio de orientações nutricionais nas unidades de saúde, promoção da segurança alimentar e incentivo à prática de atividade física. Programas como a Academia da Saúde, que oferece exercícios gratuitos e acompanhamento profissional, também cumprem papel essencial nesse enfrentamento.
A mensagem é clara: cuidar do corpo vai muito além do número na balança. Envolve alimentação de qualidade, movimento regular, sono adequado e atenção contínua à saúde. O desafio agora é transformar informação em atitude e fazer com que políticas públicas e escolhas individuais caminhem juntas para mudar esse cenário preocupante.
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