Em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, líderes do Mercosul e da União Europeia formalizaram acordo comercial que estabelece a maior zona de livre comércio do mundo. O tratado envolve população combinada de 720 milhões de pessoas e mercado estimado em 22 trilhões de dólares.
O acordo elimina progressivamente até 90% das tarifas entre os blocos ao longo de 12 anos. A União Europeia concederá acesso preferencial imediato para diversos produtos industriais sul-americanos, enquanto o Mercosul reduzirá barreiras para importação de maquinário, veículos e serviços europeus.
Resposta ao Protecionismo Global
Autoridades de ambos os blocos enfatizaram o simbolismo político do acordo em momento de crescente fragmentação comercial. A presidente da Comissão Europeia destacou que a escolha foi pelo comércio baseado em regras, em contraposição ao isolacionismo e uso de tarifas como instrumento de pressão política.
O presidente do Conselho Europeu observou que, enquanto algumas potências erguem barreiras, Europa e América do Sul constroem pontes. A referência implícita às ameaças tarifárias americanas não passou despercebida pelos analistas internacionais.
Desafios da Ratificação
Apesar da assinatura, o caminho até a implementação completa permanece incerto. O texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país do Mercosul. Na Europa, agricultores franceses e de outras nações manifestam forte oposição, temendo concorrência de produtos sul-americanos.
França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra o acordo no Conselho da UE, embora a maioria qualificada tenha aprovado o texto. Ambientalistas também criticam possíveis impactos sobre desmatamento e mudanças climáticas, apesar de cláusulas de sustentabilidade incluídas no tratado.
Oportunidades para Empresas Brasileiras
Estudos estimam que o acordo pode adicionar 7 bilhões de dólares às exportações brasileiras quando plenamente implementado. Setores como agropecuária, calçados, suco de laranja e carne bovina terão acesso facilitado ao mercado europeu, segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Empresas europeias também celebram redução de custos alfandegários estimada em 4 bilhões de euros anuais. O acordo garante acesso a contratos públicos sul-americanos e protege 344 indicações geográficas europeias contra imitações, incluindo queijos, vinhos e embutidos.
Leia também:




































































