Mulher sentada à mesa diretora fala ao microfone durante sessão legislativa, usando blusa branca, com expressão confiante, em plenário institucional com outra mulher ao fundo.
Mulher sentada à mesa diretora fala ao microfone durante sessão legislativa, usando blusa branca, com expressão confiante, em plenário institucional com outra mulher ao fundo.

Projeto no Congresso propõe diretrizes para atendimento de mulheres com adenomiose no SUS

Um projeto de lei em tramitação no Brasil busca organizar e padronizar o atendimento de mulheres diagnosticadas com adenomiose no Sistema Único de Saúde. A iniciativa surge em resposta a uma demanda histórica por reconhecimento, diagnóstico precoce e tratamento adequado de uma condição ginecológica ainda pouco discutida, apesar de afetar de forma significativa a qualidade de vida de milhares de mulheres. Ao propor diretrizes específicas, o texto pretende reduzir desigualdades no acesso à saúde e fortalecer a atenção integral à saúde feminina.

O que é a adenomiose e por que falta atendimento adequado
A adenomiose é caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial no músculo do útero, provocando dores intensas, sangramentos abundantes e, em alguns casos, infertilidade. Especialistas apontam que a condição é frequentemente subdiagnosticada, seja pela semelhança dos sintomas com outras doenças ginecológicas, seja pela limitação de exames especializados na rede pública. A ausência de protocolos claros contribui para atrasos no diagnóstico e para tratamentos fragmentados, ampliando o sofrimento das pacientes.

As diretrizes propostas pelo projeto
O projeto estabelece parâmetros para o atendimento no SUS, incluindo a capacitação de profissionais de saúde, a padronização de fluxos de diagnóstico e a ampliação do acesso a exames de imagem adequados. Também prevê acompanhamento multidisciplinar, considerando não apenas os aspectos físicos, mas os impactos emocionais e sociais da doença. A proposta reforça a importância da atenção primária como porta de entrada, articulada com serviços especializados, para garantir continuidade do cuidado.


Impactos sociais, econômicos e no sistema de saúde
Do ponto de vista social, a iniciativa pode reduzir afastamentos do trabalho e prejuízos à renda causados por dores incapacitantes e tratamentos inadequados. Economicamente, especialistas avaliam que a definição de diretrizes tende a racionalizar recursos, evitando procedimentos desnecessários e internações recorrentes. Em um cenário internacional em que sistemas públicos de saúde buscam eficiência e equidade, políticas voltadas à saúde da mulher são vistas como estratégicas para reduzir desigualdades de gênero e melhorar indicadores de bem-estar.

Debate político e desafios de implementação
A proposta dialoga com debates globais sobre saúde reprodutiva e direitos das mulheres, temas que ganham espaço em agendas multilaterais. No Brasil, o desafio será garantir financiamento, capacitação contínua e integração entre níveis de atenção. Parlamentares e entidades da sociedade civil defendem que a aprovação do projeto seja acompanhada de mecanismos de monitoramento para assegurar sua efetividade nos estados e municípios.


Ao estabelecer diretrizes para o atendimento da adenomiose no SUS, o projeto representa um avanço no reconhecimento de uma condição historicamente negligenciada. Seu desfecho poderá influenciar a forma como o sistema público lida com doenças femininas crônicas, reforçando o princípio da integralidade do cuidado. Em um contexto de pressão sobre os sistemas de saúde e de maior consciência sobre equidade, iniciativas como essa sinalizam um passo importante para transformar demandas invisibilizadas em políticas públicas concretas.