O polo industrial de São Gonçalo do Amarante no Ceará, enfrenta uma crise de inadimplência que atinge diretamente o empresariado local. Uma prestadora de serviços de origem sul-coreana, que mantinha contratos vultosos desde a época da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), oficializou seu pedido de falência, interrompendo pagamentos e deixando um rastro de dívidas que somam milhões de reais.
O Impacto nos Negócios Locais
O pedido de falência afetou uma cadeia de suprimentos diversificada no Ceará. Ao todo, 16 empresas cearenses foram listadas como credoras, enfrentando dificuldades financeiras imediatas:
- Setores Atingidos: As dívidas englobam serviços de logística, manutenção industrial, alimentação, locação de equipamentos e fornecimento de insumos básicos.
- Valores em Aberto: Embora o montante total esteja sendo auditado pela justiça, as cifras iniciais apontam para um prejuízo que pode inviabilizar a operação de pequenos e médios negócios da região que dependiam quase exclusivamente desses contratos.
Relação com a Antiga CSP
A empresa coreana em questão estabeleceu-se no Ceará durante a construção e operação inicial da CSP, quando a sul-coreana Dongkuk era uma das acionistas majoritárias. Com a venda da siderúrgica para a ArcelorMittal, muitos contratos de subprestação foram renegociados ou encerrados, o que, somado a problemas de gestão global da matriz coreana, teria levado à insolvência da unidade local.
O Processo Jurídico e Recuperação de Crédito
Com a decretação da falência, os fornecedores cearenses entram agora em uma complexa batalha jurídica:
- Habilitação de Crédito: As 16 empresas precisam formalizar seus pedidos perante o administrador judicial para serem incluídas na lista de credores.
- Ordem de Preferência: Pela lei brasileira, créditos trabalhistas e tributários têm prioridade. Os fornecedores (credores quirografários) geralmente estão no fim da fila para o recebimento, o que aumenta o pessimismo quanto à recuperação total dos valores.
- Responsabilidade Solidária: Advogados dos credores estudam se há base legal para acionar a contratante principal ou empresas do mesmo grupo econômico para responderem pelas dívidas.
“Este evento é um alerta sobre a dependência excessiva de um único grande player. O impacto social em São Gonçalo do Amarante e Caucaia é imediato, com risco de demissões em massa nessas 16 empresas lesadas”, afirma um analista econômico consultado pelo Diário do Nordeste.
O Que Dizem os Envolvidos?
A ArcelorMittal Pecém informou que cumpre rigorosamente seus contratos e que o problema jurídico envolve uma relação privada entre a empresa coreana e seus subcontratados. A representação da empresa coreana no Brasil não emitiu novos comunicados desde o protocolo do pedido de falência.
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