O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (23) a operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, classificando a ação como uma “falta de respeito” à soberania de um país latino-americano e afirmando que a América Latina não vai “baixar a cabeça para ninguém”. A declaração foi feita durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador (BA).
Crítica à operação dos EUA
Lula afirmou que ficou “indignado” com os acontecimentos na Venezuela, onde forças norte-americanas teriam entrado no território durante a noite, capturado o presidente Nicolás Maduro e sua esposa e levado ambos para Nova York sob acusações relacionadas a narcotráfico e terrorismo. O presidente brasileiro considerou a ação uma violação da integridade territorial de um país soberano.
Segundo o presidente, país algum na América do Sul possui armas nucleares ou pretensões beligerantes que justifiquem tal intervenção, e ele ressaltou que a região tem tradição de paz e de relação diplomática entre as nações. Lula afirmou que respeita o povo brasileiro e todos os povos da região e que, por isso, a América Latina não se curvará diante de pressões ou intervenções externas.
Defesa da soberania e do direito internacional
As afirmações de Lula refletem uma reação mais ampla de governos e analistas da região que criticaram o ataque por supostamente violar a Carta das Nações Unidas e o princípio de não-intervenção em assuntos internos de estados soberanos. Autoridades como o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos também expressaram preocupação de que a operação enfraqueça normas fundamentais do direito internacional.
O presidente brasileiro destacou a importância de preservar a soberania dos povos e afirmou que nenhum país latino-americano deve aceitar intervenções que considerem uma afronta à autodeterminação. Ele argumentou que a posição de respeito à soberania e ao multilateralismo é essencial para a estabilidade regional.
Contexto regional e diplomático
A ação dos Estados Unidos na Venezuela e a reação de líderes latino-americanos acontecem em um contexto de tensões geopolíticas crescentes na região. Países vizinhos expressaram preocupação de que a intervenção poderia desencadear instabilidade mais ampla ou criar precedentes perigosos para relações internacionais no continente.
Lula também defendeu o uso da diplomacia como meio para resolver conflitos e reiterou a posição de que a América Latina deve permanecer uma zona de paz, onde diferenças políticas e disputas internas sejam tratadas por vias pacíficas e com respeito ao direito internacional.




































































