Drogas apreendidas em operação contra tráfico em Ceilândia realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal
Drogas apreendidas em operação contra tráfico em Ceilândia realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal

PCDF desencadeia “Operação Feira Livre” e desarticula ponto de tráfico em Ceilândia

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 15ª Delegacia de Polícia, realizou nos dias 21 e 22 de janeiro de 2026 uma ação estratégica batizada de Operação Feira Livre, com objetivo de enfrentar atividades de tráfico de drogas que vinham ocorrendo de forma dissimulada em uma banca de ambulante no Setor M (CNM 2), em Ceilândia/DF. A operação envolve investigação, abordagens e prisões que revelam desafios mais amplos no combate ao tráfico urbano, com impactos sociais diretos para a comunidade local e reflexos sobre políticas públicas de segurança.

A banca como fachada e o monitoramento policial

A investigação começou após moradores, usuários e comerciantes alertarem repetidamente as autoridades sobre a movimentação suspeita em uma banca montada irregularmente na calçada pública, supostamente voltada à venda de roupas. O cenário, porém, despertou desconfiança por conta de compradores que se aproximavam apenas para adquirir substâncias entorpecentes. A partir dessas denúncias, policiais civis passaram a acompanhar discretamente a rotina do local, adotando técnicas de vigilância prolongada para confirmar a prática criminosa e identificar os responsáveis.

No primeiro dia de diligências, na quarta-feira, 21 de janeiro, a equipe observou uma dinâmica típica de comércio ilícito de drogas. Após abordagens a usuários que teriam adquirido entorpecentes ali, um menor de 16 anos foi detido no local. Com ele foram apreendidos porções de crack, dinheiro e um telefone celular — elementos que, segundo a polícia, indicavam a participação ativa no tráfico. O adolescente foi encaminhado à DCA 2, onde foi aberto procedimento por ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas e posteriormente entregue a um responsável legal.


Prisões e apreensões no segundo dia da operação

No dia seguinte, quinta-feira, 22 de janeiro, os policiais retornaram à banca e flagraram novamente a prática criminosa. Nesse momento, uma mulher, de 33 anos, foi presa em flagrante por portar porções de cocaína e maconha com intenção de venda. A ação foi ampliada com a prisão de um homem, de 38 anos, responsável pelo ponto de comércio irregular, acusado de permitir que o local fosse utilizado para tráfico mesmo após incidentes anteriores envolvendo funcionários na mesma função.

Além das prisões, foram apreendidos dinheiro em espécie, um celular e uma máquina de cartão usados para facilitar as transações ilícitas. Todas as mercadorias expostas na banca também foram confiscadas pelas autoridades, como parte do esforço para interromper o ciclo de venda de drogas naquele espaço público.

Impactos locais e dimensões sociais

A chamada Operação Feira Livre reflete um fenômeno comum em áreas urbanas: o uso de atividades aparentemente informais como fachada para a distribuição de substâncias proibidas. Em muitos centros metropolitanos brasileiros, a informalidade comercial se mistura a estruturas de tráfico, criando desafios complexos para fiscalização e policiamento. Esse tipo de ocorrência pode influenciar negativamente a sensação de segurança e a convivência comunitária, além de gerar estigmatização de pequenos empreendedores e feirantes.

No contexto de Ceilândia, uma das maiores regiões administrativas do Distrito Federal, a operação aponta para a importância de políticas integradas que aliem repressão qualificada à prevenção social, especialmente considerando fatores como vulnerabilidade socioeconômica e falta de oportunidades, que alimentam tanto a oferta quanto a demanda por drogas nas periferias urbanas.

Questões estruturais e próximos desdobramentos

A atuação da PCDF evidencia que o enfrentamento ao tráfico de drogas exige não apenas ações pontuais de repressão, mas também coordenação com outras esferas governamentais e comunitárias. A recuperação do espaço público e a devolução de bairros à livre circulação de famílias exigem esforços contínuos — desde o apoio a programas de inclusão social até investimentos em educação, emprego e saúde.

Especialistas em segurança pública destacam ainda que iniciativas como a Operação Feira Livre são essenciais para desarticular pontos de comércio ilícito, mas não substituem abordagens mais amplas para reduzir a criminalidade de forma sustentável. O futuro das políticas de combate ao tráfico deve refletir uma combinação de inteligência policial com estratégias sociais profundas, buscando diminuir a oferta de drogas e suas consequências humanitárias para as populações mais afetadas.