A Polícia Federal (PF) no Brasil utiliza tecnologias especializadas de perícia digital para extrair dados de celulares apreendidos em investigações, mesmo quando os aparelhos estão bloqueados por senha ou até desligados. Esses métodos têm sido usados em casos de grande repercussão e alta complexidade técnica.
Isolamento dos aparelhos e proteção das informações
Ao receber um telefone apreendido, os peritos primeiro isolam o dispositivo em uma gaiola de Faraday, um recipiente metálico que bloqueia sinais externos, como internet e redes móveis, impedindo que dados sejam apagados remotamente antes da análise.
Dentro dessa estrutura, o celular fica “preso” sem comunicação com o mundo exterior, o que garante que nenhuma instrução externa possa apagar ou alterar o conteúdo armazenado.
Softwares e ferramentas de extração de dados
Ferramentas comerciais específicas de perícia digital, como Cellebrite e GreyKey, são conectadas ao aparelho por cabo USB e usadas para tentar descobrir ou contornar o bloqueio de senha, acessando o armazenamento interno para copiar dados como mensagens, fotos, vídeos e histórico de uso.
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Cellebrite UFED é um dos sistemas mais conhecidos globalmente, usado por polícias em dezenas de países para extração forense de dispositivos iOS e Android.
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GreyKey é outra tecnologia semelhante que atua tanto em iPhones quanto em alguns modelos Android.
Esses softwares conseguem baixar o conteúdo completo do dispositivo para análise posterior pelos investigadores, mesmo quando determinados arquivos foram apagados pelo usuário — já que muitos sistemas forenses conseguem recuperar dados que ainda permanecem na memória física do aparelho.
Técnicas avançadas em casos complexos
Quando um celular está desligado, danificado ou inacessível por software, pode ser usada uma técnica conhecida como “chip off”, em que o chip de memória é fisicamente removido e analisado em outro equipamento, transferindo o seu conteúdo para um dispositivo de perícia.
Esse tipo de abordagem é mais invasivo, mas pode ser necessário quando os métodos convencionais não conseguem revelar as informações necessárias à investigação.
Uso e contexto nas investigações
Essas tecnologias têm sido empregadas em investigações de grande relevância no Brasil, em que a coleta de dados de aparelhos celulares pode ser crucial como evidência, desde crimes comuns até casos envolvendo figuras públicas. A capacidade de extrair grande volume de dados em curto espaço de tempo destaca a relevância do celular como fonte de provas em investigações modernas.
Encerramento
A utilização de tecnologias como Cellebrite e GreyKey, combinada com procedimentos de isolamento e técnicas físicas de extração, transformou a perícia digital em uma ferramenta poderosa. Embora a extração completa de dados de celulares ampliem a eficácia das investigações, também levanta debates sobre privacidade e o alcance dessas ferramentas quando aplicadas em investigações sensíveis ou envolvendo dados pessoais extensos.





































































