Gráfico mostrando desaceleração do crescimento econômico da China entre 2024 e 2027, com linhas descendentes representando queda na indústria e consumo doméstico
Trajetória de desaceleração da economia chinesa: indústria e consumo perdem força entre 2024 e 2027

Desaceleração Chinesa Preocupa Mercados: PIB de 2026 Deve Recuar para 4,4%

A China encerrou 2025 com crescimento de 5%, cumprindo a meta oficial, mas sinais de desaceleração no último trimestre acendem alertas para 2026. Instituições financeiras internacionais projetam expansão entre 4,4% e 4,6% neste ano, refletindo desafios estruturais que persistem mesmo após estímulos governamentais.

O quarto trimestre de 2025 registrou expansão de 4,5%, abaixo dos 4,8% do trimestre anterior. Analistas destacam que a produção industrial manteve ritmo firme graças às exportações, mas o consumo doméstico desacelerou acentuadamente, expondo vulnerabilidades da segunda maior economia do mundo.

Crise Imobiliária e Consumo Fragilizado

O setor imobiliário continua sendo o principal obstáculo. O investimento em construção residencial caiu 17,2% em 2025, contribuindo para a primeira queda anual do investimento em ativos fixos desde 1996. A crise habitacional corrói a confiança das famílias, que mantêm elevados níveis de poupança precaucional.


As vendas no varejo cresceram apenas 0,9% em dezembro, muito abaixo das expectativas. O consumo das famílias representa menos de 40% do PIB chinês, patamar inferior à média global. Pequim prometeu ampliar significativamente essa participação no próximo plano quinquenal, mas especialistas duvidam da capacidade de implementação rápida.

Dependência das Exportações Aumenta Riscos

As exportações sustentaram o crescimento em 2025, com superávit comercial recorde de 1,2 trilhão de dólares. Porém, essa dependência do mercado externo cria vulnerabilidade diante do protecionismo crescente, especialmente com ameaças de novas tarifas americanas sob a administração Trump.

Empresas chinesas diversificaram destinos, reduzindo exposição aos Estados Unidos, mas a estratégia tem limites. A desaceleração na Europa e a competição com produtos indianos e vietnamitas em terceiros mercados restringem alternativas.

Consequências para o Brasil e Emergentes

Para o Brasil, principal exportador de commodities à China, a desaceleração é preocupante. Embora Pequim prometa manter demanda por alimentos e minério de ferro, a fraqueza do setor imobiliário chinês pressiona preços de matérias-primas. Analistas estimam que crescimento chinês abaixo de 4,5% pode reduzir em até 0,3 ponto percentual o PIB brasileiro.

Outros emergentes enfrentam dilema similar. A China responde por cerca de 30% do crescimento econômico global, e sua desaceleração afeta cadeias produtivas em toda Ásia e América Latina. Autoridades chinesas prometem política fiscal mais expansionista em 2026, mas priorizam controle de riscos financeiros sobre estímulo massivo.