Mulher sentada no sofá utilizando leque para se refrescar em sala iluminada naturalmente durante dia de calor intenso.
Mulher sentada no sofá utilizando leque para se refrescar em sala iluminada naturalmente durante dia de calor intenso.

Ondas de calor expõem desigualdade térmica nas cidades brasileiras

O aumento das temperaturas médias no Brasil tem transformado o interior das residências em verdadeiras ilhas de calor. Em janeiro de 2026, capitais registraram recordes históricos, pressionando redes elétricas e ampliando a procura por ar-condicionado. Para milhões de famílias, porém, a climatização artificial não é viável. Diante desse cenário, soluções arquitetônicas simples e estratégias de ventilação voltam ao centro do debate sobre adaptação climática e justiça social.

Ventilação cruzada e desenho inteligente

Especialistas em conforto térmico defendem o aproveitamento da ventilação natural como medida prioritária. A abertura estratégica de janelas em lados opostos da casa cria circulação constante de ar, reduzindo a sensação térmica. Cortinas leves e cores claras nas paredes também ajudam a refletir a radiação solar.

Em cidades densamente verticalizadas, entretanto, prédios vizinhos dificultam a circulação do vento, evidenciando a importância do planejamento urbano. A forma como as cidades crescem impacta diretamente o microclima interno das moradias.


Vegetação e sombreamento como aliados

Plantas ao redor da casa e jardins verticais funcionam como barreiras térmicas naturais. Árvores próximas às fachadas diminuem a incidência direta de sol e reduzem o aquecimento das superfícies. Pesquisas recentes apontam que áreas com maior cobertura vegetal registram temperaturas até 3°C inferiores em comparação a regiões asfaltadas.

O incentivo ao paisagismo urbano, porém, esbarra em disputas orçamentárias municipais e em prioridades políticas que nem sempre incluem adaptação climática como pauta central.

Materiais e soluções acessíveis

Telhados claros ou com mantas térmicas reduzem a absorção de calor. O uso de ventiladores de teto, quando bem posicionados, melhora a circulação do ar com consumo energético menor que o ar-condicionado. Em comunidades de baixa renda, iniciativas coletivas de melhoria habitacional têm mostrado impacto positivo na saúde, reduzindo casos de desidratação e exaustão térmica.

O debate sobre eficiência energética também envolve acordos internacionais e metas de redução de emissões. Países em desenvolvimento pressionam por financiamento climático para adaptar moradias vulneráveis, enquanto potências discutem responsabilidades históricas.

Resfriar a casa vai além do conforto individual; trata-se de adaptação a uma nova realidade climática. À medida que eventos extremos se tornam mais frequentes, a combinação entre soluções domésticas e políticas públicas estruturantes será decisiva para evitar que o calor aprofunde desigualdades sociais nas próximas décadas.