Apesar do cenário global marcado por protecionismo crescente e fragmentação comercial, Brasil mantém otimismo com a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, aprovado pelos governos europeus em janeiro de dois mil e vinte e seis. O tratado, negociado por mais de vinte anos, pode gerar economia estimada em quatro bilhões de euros através da eliminação de tarifas e simplificação burocrática. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo representa oportunidade histórica de diversificar parcerias comerciais e ampliar acesso a mercado consumidor sofisticado de quatrocentos e cinquenta milhões de europeus. Contudo, entre assinatura prevista para dezessete de janeiro no Paraguai e implementação efetiva, existe longo caminho repleto de obstáculos políticos e exigências ambientais que podem comprometer o tratado.
Benefícios estratégicos além da economia tarifária
A eliminação de tarifas sobre produtos industriais e agrícolas representa apenas parte dos ganhos potenciais. Empresas brasileiras terão acesso facilitado a tecnologias europeias, financiamento em condições favoráveis e integração em cadeias produtivas globais. Exportadores de carne bovina, soja, café, suco de laranja e etanol poderão competir em igualdade com concorrentes que atualmente gozam de proteções tarifárias. Setor automotivo, química e máquinas também se beneficiarão de redução de custos de importação de componentes europeus. Além de ganhos econômicos diretos, acordo possui dimensão geopolítica crucial: fortalece vínculos transatlânticos Sul-Sul em momento de crescente influência chinesa na América Latina, oferecendo alternativa estratégica ao domínio comercial asiático.
Resistências europeias ameaçam ratificação
Oposição feroz de agricultores franceses, poloneses e austríacos representa principal ameaça à implementação. Organizações rurais europeias argumentam que produtos sul-americanos chegam com custos menores devido a padrões ambientais e trabalhistas menos rigorosos, configurando concorrência desleal. França mobiliza parlamento para bloquear ratificação, exigindo cláusulas adicionais de proteção agrícola. Grupos ambientalistas somam-se às críticas, alertando que acordo incentivará desmatamento amazônico para expandir áreas agrícolas exportadoras. União Europeia promete mecanismos de salvaguarda e monitoramento ambiental, mas críticos consideram garantias insuficientes.
Corrida contra tempo político e protecionista
Brasil reconhece que janela de oportunidade pode ser estreita. Eleições europeias, mudanças governamentais e ascensão de partidos nacionalistas que defendem protecionismo agrícola podem inviabilizar acordo nos próximos anos. Diplomacia brasileira trabalha intensamente para acelerar ratificação antes que conjuntura política se torne desfavorável. O tratado representa aposta em que integração comercial ainda é possível em mundo crescentemente fragmentado, mas sucesso dependerá de capacidade de conciliar interesses econômicos divergentes com exigências ambientais legítimas, equilibrando abertura comercial com proteção de setores vulneráveis em ambos os lados do Atlântico.
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