A Anvisa aprovou o lenacapavir, primeira injeção aplicada duas vezes por ano que previne o HIV com quase 100% de eficácia. Veja como funciona.

Anvisa aprova injeção semestral que previne o HIV com quase 100% de eficácia

Anvisa aprova injeção semestral que previne o HIV com eficácia próxima de 100%

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do lenacapavir, o primeiro medicamento injetável de longa duração capaz de prevenir a infecção pelo HIV com eficácia próxima de 100%. A inovação representa um dos maiores avanços globais no combate ao vírus desde o surgimento da PrEP.

O fármaco, que será comercializado no Brasil sob o nome Sunlenca, foi desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences e já havia recebido autorização de uso nos Estados Unidos e na União Europeia.

A aprovação no Brasil contempla duas finalidades:


  • Prevenção (PrEP) para pessoas sem HIV, acima de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg e teste negativo;
  • Tratamento de pacientes que vivem com HIV e apresentam resistência a outras classes de medicamentos.

Como funciona a nova injeção contra o HIV

Diferente da PrEP tradicional, que exige o uso de comprimidos diários, o lenacapavir é aplicado apenas duas vezes por ano. A substância permanece ativa no organismo, impedindo que o vírus se replique caso haja exposição.

Segundo especialistas, essa característica pode transformar a prevenção, especialmente entre pessoas que têm dificuldade de manter a adesão diária ao tratamento.

— Trata-se de uma inovação disruptiva na resposta ao HIV. O lenacapavir oferece uma alternativa altamente eficaz e de longa duração, ampliando de forma concreta as opções de prevenção e tratamento — afirma Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp.

Estudos comprovam eficácia quase total

A aprovação se baseou em grandes ensaios clínicos internacionais. O estudo Purpose-1, realizado com mais de 5 mil mulheres na África do Sul e em Uganda, mostrou 100% de proteção: nenhuma participante que recebeu a injeção contraiu HIV durante quase dois anos.

Já o estudo Purpose-2, com mais de 3 mil participantes de diferentes países, incluindo Brasil e Argentina, apontou 96% de eficácia, superando inclusive a PrEP em comprimidos.

Os dados foram publicados no respeitado New England Journal of Medicine.

Por que não é uma vacina?

Apesar de ser uma injeção, o lenacapavir não é uma vacina. Ele não estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos. O medicamento atua bloqueando diretamente o vírus, impedindo sua multiplicação. Por isso, sua proteção depende da presença contínua do fármaco no organismo.

Se o uso for interrompido, a proteção também desaparece.

Desafio agora é o preço

Nos Estados Unidos, o tratamento custa mais de US$ 28 mil por ano por paciente, o equivalente a cerca de R$ 150 mil. No Brasil, o preço ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A eventual oferta pelo SUS dependerá de análise da Conitec e do Ministério da Saúde, que avaliarão custo, impacto orçamentário e viabilidade operacional.

Especialistas alertam que, além do valor, será necessário investir em estrutura para aplicações regulares e acompanhamento clínico.

Nova esperança também para quem já vive com HIV

O lenacapavir também foi aprovado como tratamento para pessoas com HIV que desenvolveram resistência a outros medicamentos. Em estudos clínicos, 88% dos pacientes atingiram supressão viral após seis meses de uso combinado.

Isso faz do remédio uma alternativa estratégica para casos mais complexos da doença.

A chegada da injeção semestral ao Brasil coloca o país entre os que passam a ter acesso à tecnologia mais avançada do mundo contra o HIV — ainda que o desafio agora seja garantir que ela chegue, de fato, a quem mais precisa.

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Jornalista, engenheiro civil e mestre em recursos hídricos pela Universidade de Brasília, Ranielle Linhares é o fundador e estrategista-chefe do RaniNewsTV, a TV Digital de Brasília. Com mais de 850 mil seguidores nas redes sociais e mais de 77 milhões de contas alcançadas mensalmente, tornou-se uma das vozes mais influentes da comunicação digital na capital federal. Sua atuação combina credibilidade, linguagem acessível e uma abordagem multiplataforma que conecta política, cultura, economia e entretenimento.