Bolsonaro visto através de persiana em imagem que simboliza acompanhamento médico e momento de incerteza política no Brasil
Bolsonaro visto através de persiana em imagem que simboliza acompanhamento médico e momento de incerteza política no Brasil

Jair Bolsonaro recebe alta hospitalar e inicia prisão domiciliar com tornozeleira em Brasília

Após duas semanas internado para tratar pneumonia, ex-presidente cumprirá medida humanitária de 90 dias em casa.

Na manhã desta sexta-feira, 27 de março de 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital DF Star, localizado na Asa Sul, em Brasília, onde permanecia internado desde o dia 13 de março. O ex-mandatário foi submetido a um tratamento intensivo contra um quadro de broncopneumonia bacteriana que apresentou complicações durante seu período de detenção. Segundo o boletim médico assinado pela equipe multidisciplinar, embora a infecção tenha sido controlada, o paciente ainda apresenta um estado de fragilidade imunológica, o que exige um período de convalescença doméstica estimado entre três a seis meses para a plena recuperação das funções pulmonares.

A saída do hospital, no entanto, não significou a liberdade plena. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a custódia preventiva de Bolsonaro foi convertida em prisão domiciliar temporária com prazo inicial de 90 dias. A decisão, fundamentada em princípios humanitários e no direito à saúde do detento, ocorreu após a defesa apresentar laudos que comprovavam a impossibilidade de o sistema prisional oferecer o suporte médico e a higienização necessários para o pós-operatório e o tratamento de doenças respiratórias crônicas.

A logística da transferência foi acompanhada de perto pela Polícia Federal. Antes de deixar a unidade hospitalar, Bolsonaro passou pelo procedimento de instalação da tornozeleira eletrônica. O ex-presidente foi escoltado por batedores até sua residência no Jardim Botânico, em Brasília. As regras impostas pelo STF para este período são rigorosas: Bolsonaro está terminantemente proibido de manter contato com qualquer outro investigado nos inquéritos que tramitam na Corte — inclusive por intermédio de terceiros —, está impedido de utilizar redes sociais e não pode conceder entrevistas ou declarações públicas sem prévia autorização judicial.


A defesa de Bolsonaro, liderada pelo advogado Fabio Wajngarten, classificou a medida como “necessária e justa diante da gravidade do quadro clínico”, mas informou que deve peticionar ao STF um pedido de flexibilização para que o ex-presidente possa receber visitas de familiares de primeiro grau e de seus assistentes espirituais. Vale lembrar que Jair Bolsonaro cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, a “Papudinha”, em decorrência da condenação a 27 anos e 3 meses de reclusão no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A nova fase de prisão domiciliar será monitorada 24 horas por dia pelo Centro de Monitoramento Eletrônico, e qualquer violação do perímetro estabelecido ou das regras de comunicação poderá resultar na regressão imediata para o regime fechado.