Documentos recentes revelam que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) realizou uma operação de assistência financeira colossal no valor de R$ 4,3 bilhões para o conglomerado Master, liderado pelo empresário Daniel Vorcaro, meses antes da sua derrocada final. O aporte, ocorrido entre maio e outubro de 2025, visava evitar um colapso desordenado e proteger o Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas não foi suficiente para estancar a crise de liquidez que culminou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.
A ajuda bilionária tinha um propósito específico: quitar instrumentos financeiros que, em caso de quebra, exigiriam o acionamento imediato da garantia do FGC (limitada a R$ 250 mil por CPF). Na prática, o fundo tentou financiar uma “saída organizada” do mercado, reduzindo sua exposição potencial de R$ 51 bilhões para R$ 40 bilhões. Em troca desse fôlego, o grupo Master conseguiu captar apenas R$ 90,2 milhões, evidenciando a profunda desconfiança do mercado. Mesmo com medidas desesperadas do controlador, como planos de venda da Will Financeira e do Letsbank, além de acordos operacionais com o BRB e promessas de aportes estrangeiros de US$ 400 milhões, o banco não conseguiu recompor seus depósitos compulsórios. A agonia se estendeu até novembro de 2025, quando a situação tornou-se insustentável.
A gravidade da situação ficou clara no dia da liquidação, em 18 de novembro. O Banco Master possuía em caixa apenas R$ 4,8 milhões em títulos públicos, enquanto enfrentava vencimentos imediatos de CDBs que somavam R$ 48,6 milhões. Diante do abismo financeiro e da incapacidade de honrar compromissos básicos, o Banco Central decretou a intervenção para preservar a estabilidade bancária.
Uma auditoria especializada do Tribunal de Contas da União (TCU) ratificou a atuação do BC, classificando a liquidação como “imperativa e tecnicamente fundamentada”. Desde o final de 2025, nove instituições ligadas a Vorcaro foram fechadas, forçando o FGC a realizar o maior desembolso de sua história: R$ 51 bilhões para ressarcir credores. Apesar do esforço bilionário do fundo para minimizar os danos, o caso Master entra para a história como um exemplo de crise crônica que nem mesmo aportes massivos de liquidez foram capazes de reverter, deixando um rombo histórico no sistema de garantias brasileiro.























