O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, divulgou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, a necessidade de uma discussão ampla e serena no Congresso Nacional sobre a proposta de encerrar a jornada de trabalho no regime 6×1 — seis dias trabalhados seguidos de apenas um de descanso — considerada prioridade na agenda trabalhista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para 2026. A fala de Edinho ocorreu durante encontro com empresários em Brasília, em que defendeu que o tema seja apreciado com ponderação pelos parlamentares, refletindo a complexidade das mudanças no mundo do trabalho.
O debate sobre esse formato de jornada cruza questões estruturais da economia moderna, como os efeitos da automação e da inteligência artificial (IA) sobre emprego e produtividade, e suscita reflexões sobre a evolução dos direitos trabalhistas no Brasil e em outros países.
Escala 6×1 e transformações no trabalho
A escala 6×1 está no centro de um debate mais amplo sobre como os regimes de trabalho tradicionais devem ser repensados diante de avanços tecnológicos que podem reduzir a necessidade de horas trabalhadas. A IA e a robotização, por exemplo, já transformam setores produtivos, alterando padrões de emprego e exigindo adaptação de regras laborais para evitar desigualdades profundas.
Especialistas em relações de trabalho observam que jornadas mais equilibradas podem contribuir para o bem-estar físico e mental dos trabalhadores, além de estimular maior participação em atividades educacionais ou de cuidado familiar. Debates semelhantes ocorrem em países europeus e nos Estados Unidos, onde discussões sobre redução de jornada também são impulsionadas pela produtividade tecnológica e qualidade de vida.
Congresso como foro adequado
Edinho Silva posicionou-se de que o Congresso Nacional deve ser o palco para articular consensos entre empresários, sindicatos, trabalhadores e entidades da sociedade civil sobre o tema. Isso porque, segundo ele, a Casa representa a pluralidade de interesses da sociedade brasileira e pode equilibrar as demandas por proteção trabalhista com a necessidade de competitividade econômica.
No cenário legislativo, a tramitação de propostas que tratam do fim da escala 6×1 já avançou em algumas frentes, com parlamentares sugerindo a unificação de textos e análise em comissões técnicas antes de levar a matéria ao plenário. A articulação política em torno dessa pauta tornou-se mais intensa desde o início do ano legislativo.
Tensões sociais e consequências econômicas
A proposta de extinguir a escala 6×1 enfrenta resistência de setores que argumentam sobre possíveis impactos no setor de serviços e no comércio, onde essa jornada ainda é prática comum. Há preocupações de que mudanças abruptas em regimes de trabalho possam afetar a oferta de emprego ou pressionar custos operacionais, especialmente em pequenas e médias empresas.
Ao mesmo tempo, movimentos organizados, como o Movimento Vida Além do Trabalho, defendem o fim dessa prática como forma de reduzir sofrimento e promover condições de trabalho mais humanas, alinhando-se a tendências globais de valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Ao chamar para uma avaliação cautelosa, Edinho Silva reforça que o Brasil se encontra num momento de redefinição de suas normas laborais diante de desafios tecnológicos e socioeconômicos. A discussão sobre a escala 6×1 transcende fronteiras nacionais, pois muitas economias enfrentam dilemas semelhantes quanto à adaptação das leis trabalhistas a um mundo em rápida transformação.
A forma como o Congresso conduzirá esse debate pode influenciar não apenas a legislação trabalhista brasileira, mas também a maneira como os atores sociais e econômicos negociarão ajustes futuros em direitos e produtividade. O avanço desse tema seguirá acompanhado de perto por organizações internacionais e pelo mercado global, em um contexto de competição e cooperação econômica cada vez mais intensos.





































































