Deputado Hugo Motta fala ao microfone durante evento político, em ângulo lateral, gesticulando enquanto apresenta posicionamento em ambiente institucional.
Deputado Hugo Motta fala ao microfone durante evento político, em ângulo lateral, gesticulando enquanto apresenta posicionamento em ambiente institucional.

Câmara articula votação da PEC que extingue a jornada 6×1 e reacende debate sobre trabalho no Brasil

A discussão sobre a organização do trabalho voltou ao centro da agenda política nacional. A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — deve avançar na Câmara dos Deputados nos próximos meses. A sinalização partiu do deputado Hugo Motta, que indicou a intenção de levar o texto ao plenário em maio, abrindo caminho para um dos debates trabalhistas mais sensíveis dos últimos anos.

A proposta surge em um contexto de mudanças profundas nas relações de trabalho, impulsionadas por transformações tecnológicas, pressões sociais e novas referências internacionais sobre qualidade de vida e produtividade.

A proposta e o calendário político

A PEC em discussão altera a lógica tradicional da jornada semanal no Brasil, historicamente marcada por longos períodos de trabalho com descanso reduzido. O cronograma defendido por Motta indica que o texto deve ser amadurecido nas próximas semanas, com articulações entre lideranças partidárias e diálogo com o setor produtivo.


No Congresso, a avaliação é de que o tema exige cautela política. Por se tratar de emenda constitucional, a proposta demanda quórum qualificado e amplo consenso, o que tende a intensificar negociações e ajustes no texto original.

Impactos sociais e econômicos em debate

Do ponto de vista social, o fim da jornada 6×1 é defendido por especialistas como um avanço na proteção à saúde física e mental dos trabalhadores. Estudos recentes associam jornadas prolongadas ao aumento de afastamentos, queda de produtividade e sobrecarga dos sistemas de saúde pública.

Já no campo econômico, empresários manifestam preocupação com possíveis impactos nos custos operacionais, especialmente em setores intensivos em mão de obra. Parlamentares favoráveis à PEC argumentam que modelos internacionais demonstram que jornadas mais equilibradas podem elevar eficiência e reduzir rotatividade, compensando eventuais custos iniciais.

O Brasil e o cenário internacional do trabalho

A discussão brasileira dialoga com movimentos globais. Países da Europa e da Ásia vêm testando formatos alternativos de jornada, como semanas reduzidas ou escalas mais flexíveis, em resposta a mudanças demográficas e disputas por mão de obra qualificada. Em um ambiente internacional marcado por tensões econômicas e reconfiguração das cadeias produtivas, o tema do trabalho ganha dimensão estratégica.

Para analistas, alinhar a legislação brasileira a padrões mais modernos pode fortalecer a competitividade do país no médio prazo, desde que acompanhado de políticas de transição bem estruturadas.

A expectativa é que a votação da PEC funcione como termômetro do compromisso do Congresso com uma agenda social mais ampla. Caso avance, o texto ainda seguirá para análise no Senado, prolongando o debate ao longo do ano.

Independentemente do resultado, a discussão sobre a jornada 6×1 já provoca um reposicionamento político e social, sinalizando que o futuro do trabalho no Brasil está definitivamente em pauta.