Depois de surpreender com queda superior a 10% em 2025, o melhor desempenho do real desde 2016, o dólar entra em 2026 cercado de expectativas mais moderadas. Projeções de oito grandes instituições financeiras indicam que a moeda norte-americana deve oscilar entre R$ 5,20 e R$ 5,90 ao longo do ano, refletindo um cenário externo favorável, mas marcado por incertezas internas, especialmente no campo político.
Carry trade sustenta real no início do ano
Um dos principais fatores de sustentação do real é o chamado carry trade, estratégia de investimento que se beneficia do diferencial de juros. Com a Selic em 15%, investidores seguem atraídos pela rentabilidade brasileira comparada às economias desenvolvidas. Essa dinâmica tende a manter fluxo positivo de recursos para o Brasil no primeiro trimestre, fortalecendo a moeda nacional frente ao dólar.
Federal Reserve e enfraquecimento do dólar globalmente
No cenário internacional, o Federal Reserve deve dar continuidade ao ciclo de cortes de juros iniciado em 2025. A curva de juros norte-americana embute ao menos duas reduções adicionais em 2026, gerando pressão negativa sobre a moeda americana. Esse contexto beneficia países exportadores de commodities como o Brasil, favorecendo o equilíbrio cambial e reduzindo volatilidades nos custos da cadeia de abastecimento.
Fator eleitoral aumenta incerteza cambial
A proximidade das eleições presidenciais surge como principal ponto de atenção para o câmbio brasileiro. O mercado já precifica probabilidade maior de transição política, e o aumento do ruído eleitoral no segundo semestre pode levar a oscilações significativas. Analistas destacam que o patamar final da cotação estará diretamente ligado ao resultado das eleições e às sinalizações de política econômica dos candidatos.
Especialistas recomendam que empresas mantenham estratégias de proteção cambial ao longo de 2026, principalmente aquelas expostas a importações. A volatilidade esperada exige planejamento cuidadoso, com renegociação de contratos com fornecedores internacionais e maior rigor na gestão de custos. O ano promete ser de equilíbrio delicado, com o real sujeito a oscilações intensas em função do processo eleitoral e das condições fiscais do país.
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