O conselheiro político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-deputado João Paulo Cunha, avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representa um desafio eleitoral mais complexo do que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em eventual disputa futura. A análise foi feita em meio às articulações que já movimentam os bastidores da sucessão presidencial de 2026.
Para Cunha, a força de Flávio estaria ligada à herança política do ex-presidente Jair Bolsonaro, além da consolidação de uma base ideológica fiel, especialmente em estados estratégicos como o Rio de Janeiro. Já Tarcísio, apesar de ocupar o comando do maior colégio eleitoral do país, teria perfil mais técnico e menos mobilizador do ponto de vista identitário.
Capital político e base ideológica
Na leitura do conselheiro de Lula, Flávio Bolsonaro carrega o peso simbólico do bolsonarismo, movimento que mantém influência significativa no Congresso e nas redes sociais. Mesmo após a saída de Jair Bolsonaro do Palácio do Planalto, o campo conservador segue organizado, com forte presença digital e capacidade de mobilização.
Cunha indicou que enfrentar um candidato identificado diretamente com essa base exige estratégia distinta, capaz de dialogar com eleitores que votaram em Bolsonaro por convicção ideológica e por insatisfação com o sistema político tradicional.
Tarcísio e o perfil administrativo
Em relação a Tarcísio de Freitas, João Paulo Cunha reconheceu a relevância política do governador paulista, mas avaliou que seu discurso é mais centrado em gestão e infraestrutura. Para o entorno de Lula, isso poderia abrir espaço para um debate mais pragmático sobre resultados econômicos e políticas públicas.
São Paulo concentra cerca de um quinto do eleitorado brasileiro, o que naturalmente amplia o peso de qualquer candidatura oriunda do estado. Ainda assim, aliados do governo acreditam que a disputa com Tarcísio se daria em campo menos ideológico do que com Flávio.
Contexto internacional e impacto interno
O cenário político brasileiro não se desenvolve isoladamente. Em meio a tensões comerciais entre Estados Unidos e China, conflitos armados na Europa e instabilidade em regiões estratégicas, o Brasil busca consolidar protagonismo diplomático e estabilidade econômica. A percepção internacional sobre o ambiente político interno influencia decisões de investimento e acordos multilaterais.
A polarização doméstica, se intensificada, pode afetar reformas estruturais e compromissos ambientais que fazem parte da agenda externa do governo. Nesse contexto, a definição de adversários e alianças para 2026 ganha dimensão que ultrapassa fronteiras.
Embora o calendário eleitoral ainda esteja distante, declarações como a de João Paulo Cunha revelam que o tabuleiro já está sendo montado. A disputa tende a envolver não apenas nomes fortes da direita, como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, mas também rearranjos partidários e alianças regionais.
O debate sobre quem seria o adversário mais difícil indica que o campo governista trabalha com múltiplos cenários. A corrida de 2026 promete ser marcada por estratégia, narrativa e capacidade de articulação — fatores decisivos em um país que segue dividido, mas atento aos rumos da economia e da democracia.








































































