Infográfico mostrando FMI reduzindo projeção de crescimento do Brasil de 2,0% para 1,9% em 2026, com gráficos em queda, logo do FMI e bandeira brasileira ao fundo
FMI corta expectativa para Brasil: crescimento deve desacelerar para 1,9% em 2026 diante de juros altos e desafios fiscais

FMI Rebaixa Previsão para Brasil: Crescimento Deve Ficar em 1,9% em 2026

O Fundo Monetário Internacional reduziu sua estimativa de crescimento para o Brasil em 2026, projetando expansão de 1,9% contra expectativa anterior de 2,3%. A revisão reflete preocupações com política monetária contracionista e desafios fiscais que devem limitar investimentos e consumo.

A projeção do FMI fica abaixo das estimativas do Banco Mundial, que prevê 2%, e da ONU, que projeta crescimento similar. O consenso entre economistas domésticos aponta para expansão entre 1,8% e 2% em 2026, representando desaceleração significativa frente aos 3,4% registrados em 2024.

Juros Altos Pesam sobre Investimentos

A taxa Selic deve encerrar 2026 próxima de 12,5%, segundo projeções de mercado, mantendo-se em patamar de dois dígitos pela primeira vez desde 2006. O aperto monetário visa controlar inflação que persiste acima do teto da meta, mas inibe crédito e posterga decisões de investimento empresarial.


Especialistas observam que o Brasil será exceção entre emergentes no quesito política monetária. Enquanto outros países devem reduzir juros em 2026, o Banco Central brasileiro mantém postura restritiva diante de pressões inflacionárias e incertezas sobre sustentabilidade fiscal.

Desafios Fiscais Persistem

A relação dívida bruta sobre PIB ultrapassou 91% em 2025 e deve continuar trajetória ascendente, atingindo potencialmente 84% do PIB até 2028 na métrica de dívida líquida. Desvios recentes do arcabouço fiscal, incluindo isenções tributárias e gastos acima do planejado, corroem credibilidade das regras.

Organismos internacionais alertam que o Brasil precisa reforçar compromisso com consolidação fiscal de médio prazo. A aprovação de reformas estruturais, como a tributária, avança lentamente, e seus efeitos sobre investimentos não devem ser sentidos significativamente antes de 2027.

Cenário Externo Adiciona Incertezas

A desaceleração chinesa representa risco adicional para economia brasileira. China responde por mais de 30% das exportações nacionais, concentradas em commodities cujos preços tendem a sofrer pressão caso crescimento asiático decepcione.

Por outro lado, possível redução de juros em economias desenvolvidas pode atrair capital para mercados emergentes, valorizando o real e potencialmente aliviando pressões inflacionárias. O diferencial de taxas de juros favorável ao Brasil pode sustentar fluxos de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa.