Benjamin Netanyahu e Donald Trump em conversa diplomática ao ar livre, simbolizando articulações políticas e debates sobre iniciativas de paz no Oriente Médio.
Benjamin Netanyahu e Donald Trump em conversa diplomática ao ar livre, simbolizando articulações políticas e debates sobre iniciativas de paz no Oriente Médio.

Netanyahu aposta em conselho proposto por Trump para destravar agenda de paz no Oriente Médio

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou ao centro do debate diplomático ao demonstrar abertura à criação de um conselho internacional de paz sugerido pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa surge em um contexto de prolongado conflito no Oriente Médio, marcado por instabilidade regional, pressões internas em Israel e um cenário internacional cada vez mais fragmentado. A sinalização de Netanyahu é vista por analistas como uma tentativa de reposicionar Israel no tabuleiro geopolítico e, ao mesmo tempo, ganhar margem de manobra política em meio a críticas e desafios domésticos.

Uma proposta com marca política
A ideia de um conselho de paz carrega a assinatura política de Trump, que durante seu mandato buscou soluções alternativas para conflitos históricos, priorizando acordos diretos e fóruns reduzidos. Ao endossar a proposta, Netanyahu indica alinhamento com uma visão que privilegia negociações fora dos organismos multilaterais tradicionais. Esse movimento é interpretado como uma aposta em canais mais controlados de diálogo, nos quais Israel teria maior influência sobre a agenda e os termos das discussões.

Contexto regional e pressões internas
O aceno ao conselho ocorre em um momento sensível para o governo israelense. O conflito com grupos palestinos permanece sem solução duradoura, enquanto a situação humanitária em áreas disputadas gera crescente atenção internacional. Internamente, Netanyahu enfrenta desgaste político, protestos e questionamentos sobre sua condução da segurança e da economia. Ao se mostrar disposto a discutir uma nova arquitetura de paz, o premiê busca sinalizar liderança e disposição ao diálogo, sem necessariamente assumir compromissos imediatos.


Reações e limites da iniciativa
Apesar do discurso favorável, há ceticismo entre diplomatas e especialistas. Muitos apontam que conselhos e fóruns similares já foram tentados no passado, com resultados limitados. Países árabes e lideranças palestinas tendem a avaliar a proposta com cautela, temendo que ela exclua atores relevantes ou esvazie negociações já existentes. Ainda assim, a iniciativa reabre espaço para conversas em um momento de impasse prolongado.

A eventual criação de um conselho de paz apoiado por Netanyahu e Trump pode representar tanto uma nova oportunidade diplomática quanto mais um capítulo de tentativas frustradas no Oriente Médio. Seu impacto real dependerá de quem participará do fórum, do grau de compromisso das partes e da disposição em enfrentar questões estruturais do conflito. Em um cenário global marcado por polarização, qualquer passo rumo ao diálogo tende a gerar expectativas — e também desconfiança — sobre seus desdobramentos futuros.