Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) trouxe à tona detalhes alarmantes sobre como a comunicação ilícita entre líderes de facções criminosas e o mundo exterior era mantida dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. Mensagens obtidas com autorização judicial revelam que uma advogada atuava como “ponte” no esquema conhecido como “leva e traz”, transportando ordens e informações estratégicas para o crime organizado.
O Modus Operandi do Esquema
De acordo com os relatórios da operação “Na Mira”, a profissional utilizava-se das prerrogativas da advocacia e do acesso facilitado ao parlatório para burlar a vigilância. Em vez de tratar de questões jurídicas, as conversas eram focadas em:
-
Transmissão de ordens: Comandos sobre o tráfico de drogas e retaliações fora do presídio.
-
Gestão financeira: Informações sobre movimentações de dinheiro da organização criminosa.
-
Avisos de segurança: Alertas sobre possíveis operações policiais ou movimentações de facções rivais.
As mensagens recuperadas mostram um vocabulário codificado, mas que, após análise técnica, permitiu aos investigadores ligar a atuação da advogada a crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Violação de Prerrogativas e Ética Profissional
O caso levanta um debate sensível sobre o limite das prerrogativas dos advogados. Enquanto a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) defende o sigilo entre cliente e defensor, a PCDF sustenta que o uso da profissão para a prática de crimes anula essa proteção legal.
“O que vimos aqui não foi o exercício do direito de defesa, mas a transformação de um escritório de advocacia em uma extensão do crime organizado”, destacou um dos delegados responsáveis pelo caso. A advogada em questão poderá responder criminalmente e enfrentar processos disciplinares que podem levar à cassação definitiva do seu registro profissional.
Monitoramento e Segurança no Sistema Prisional
A descoberta do esquema reforça a necessidade de novos protocolos de segurança nos parlatórios da Papuda. O sistema prisional do DF tem investido em tecnologia de monitoramento, mas o contato face a face entre advogados e detentos ainda é apontado como um dos pontos de vulnerabilidade mais explorados pelas facções.
A PCDF continua a analisar os dados dos dispositivos apreendidos para identificar outros possíveis profissionais envolvidos e o alcance real das mensagens enviadas.
Leia também:


























































