A economia venezuelana, que movimentava 460 bilhões de dólares em 2012, encolheu para cerca de 109 bilhões em 2025. Especialistas apontam que, além de problemas internos de gestão, as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos foram determinantes para agravar a crise que provocou hiperinflação e êxodo massivo da população.
O embargo começou em 2015 e foi intensificado entre 2017 e 2020, bloqueando acesso venezuelano ao sistema financeiro internacional, congelando ativos no exterior e impedindo refinanciamento da dívida. Sanções secundárias desencorajaram empresas de terceiros países a negociarem com Caracas.
Da Inflação à Hiperinflação
Pesquisas indicam que as sanções financeiras de agosto de 2017 foram o ponto de virada que empurrou o país da inflação alta para hiperinflação. A retração do setor petrolífero saltou de 11,5% em 2017 para 30,1% em 2018, primeiro ano após bloqueio financeiro completo.
A perda de divisas necessárias para importações foi estimada em 8,4 bilhões de dólares apenas no primeiro ano. Economistas calculam que a proibição de exportar petróleo para os Estados Unidos custou mais de 11 bilhões de dólares em receitas em 2020, segundo autoridades americanas da época.
Impacto Humanitário e Migratório
O colapso econômico gerou a maior crise migratória da história sul-americana, com 7,5 milhões de venezuelanos deixando o país desde 2015. A maioria buscou refúgio em nações vizinhas, incluindo Colômbia, Brasil, Peru e Chile, sobrecarregando sistemas de saúde e assistência social.
Especialistas ressaltam que problemas de gestão interna existiam antes das sanções, mas o embargo amplificou drasticamente seus efeitos. A impossibilidade de acessar mercados internacionais de capitais e importar insumos essenciais aprofundou desabastecimento e deterioração de serviços básicos.
Debate sobre Eficácia e Ética
Críticos argumentam que sanções econômicas abrangentes punem populações civis sem necessariamente provocar mudanças políticas desejadas. Relatórios de organismos internacionais questionam a proporcionalidade de medidas que afetam acesso a alimentos, medicamentos e serviços essenciais.
Washington defende que as restrições visam pressionar mudanças democráticas e combater corrupção. Recentemente, a administração Trump sinalizou possível flexibilização parcial das sanções, focando em permitir retorno de investimentos no setor petrolífero para estabilizar mercados energéticos.




































































