Inflação, juros e crescimento: como deve se comportar a economia em 2026

A economia brasileira deve entrar em 2026 em um momento de transição, com expectativas de inflação mais controlada, juros elevados em queda gradual e crescimento econômico moderado ao longo do ano. O cenário reflete um processo de ajustes após um período com preços ainda acima do centro da meta e custos de financiamento elevados para consumidores e empresas.

As projeções reunidas por analistas indicam que a inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano em torno de 4%, um patamar acima da meta oficial de 3%, mas dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. Esse comportamento sugere uma desinflação gradual, com redução das pressões de preços ao longo de 2026.

Juros e crédito em 2026

No campo da política monetária, espera‑se que a taxa básica de juros, a Selic, siga uma trajetória de queda lenta ao longo do ano, sem queda abrupta, refletindo cautela do Banco Central diante das expectativas de inflação. Mesmo com essa tendência, os juros devem permanecer em nível elevado, mantendo o crédito mais caro e condicionando o ritmo de consumo e investimento.


Esse cenário de juros elevados tende a manter o crédito mais restrito e reduzir parte da demanda de consumo e investimentos que dependem de financiamento, impactando diretamente atividades econômicas sensíveis ao custo do dinheiro.

Crescimento econômico moderado

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam que o crescimento em 2026 deve ficar em um ritmo moderado, com estimativas na faixa de cerca de 1,8% a 1,9%, em linha com as expectativas do mercado financeiro e de entidades setoriais.

Esse ritmo de expansão reflete um ambiente de consumo relativamente estável, mas investimentos ainda contidos, influenciados pelos altos juros e pela cautela das empresas diante das incertezas fiscais e externas. A manutenção do emprego em níveis próximos aos observados no fim de 2025 também deve colaborar para sustentar o consumo das famílias, mesmo sem aceleração expressiva da atividade econômica.

Câmbio e condições externas

No câmbio, as projeções apontam para estabilidade relativa do dólar, girando em torno de valores próximos ao observado no início de 2026, influenciado tanto pela dinâmica interna quanto por fatores externos e expectativas sobre política monetária global.

Em resumo, 2026 deve ser um ano de ajustes econômicos graduais, com inflação sob controle relativo, juros em queda lenta e crescimento econômico moderado, refletindo maior previsibilidade, mas também desafios para acelerar a atividade no curto prazo.