PF abre inquérito para apurar pagamento a influenciadores por ataques ao BC e defesa ao Banco Master

A Polícia Federal (PF) anunciou a abertura de um inquérito para apurar denúncias de pagamento a influenciadores digitais que teriam sido contratados para produzir conteúdos com ataques ao Banco Central (BC) e defender os interesses do Banco Master, instituição que foi alvo de liquidação extrajudicial. A investigação visa identificar eventuais irregularidades e verificar se houve crime de manipulação de informação ou financiamento ilegal de campanhas de desinformação.

A ação investigativa ocorre após relatos e denúncias de que influenciadores receberam propostas para divulgar vídeos e postagens nas redes sociais com uma narrativa favorável ao Banco Master e contrária às medidas adotadas pelo BC, com o objetivo de alterar a percepção pública sobre o caso. A Polícia Federal quer apurar a origem dos recursos, a forma de pagamento e os termos dos contratos feitos com essas pessoas.

O foco da investigação

O inquérito terá como foco principal entender se a contratação dos influenciadores configurou crime, como propaganda enganosa, difamação qualificada, financiamento irregular de campanha ou mesmo organização criminosa, dependendo das evidências coletadas. A PF analisará fatores como contratos, transferência de valores, comunicação e conteúdo publicado nas plataformas digitais.


Entre os pontos que serão investigados está a existência de cláusulas que determinavam a publicação de conteúdos com ataques explícitos ao Banco Central, fato que pode caracterizar utilização indevida de recursos para influenciar a opinião pública de maneira deliberada e coordenada.

Contexto político e repercussão

A investigação surge em um contexto de grande repercussão sobre o caso Banco Master, que gerou intenso debate no meio político, jurídico e econômico. A atuação do BC na liquidação da instituição financeira foi objeto de crítica por diversos segmentos, e a descoberta de possíveis campanhas pagas nas redes sociais intensificou o debate sobre ética digital, transparência e limites da influência online.

Autoridades e especialistas em direito digital ressaltam que a investigação da PF pode ter impacto importante para coibir práticas irregulares de financiamento de conteúdos que visem manipular interpretação de fatos econômicos ou regulatórios.

Próximos passos da PF

A Polícia Federal deve ouvir influenciadores, intermediários e eventuais contratantes, além de requisitar documentos e extratos bancários que ajudem a mapear o fluxo de recursos. A investigação deverá ser concluída com um relatório que pode apontar indícios de crime e embasar ações judiciais, caso irregularidades sejam confirmadas.