Militante do Partido dos Trabalhadores discursa em evento político, com bandeira do PT ao fundo, ilustrando a oferta de apoio jurídico a militantes nas redes sociais
Militante do Partido dos Trabalhadores discursa em evento político, com bandeira do PT ao fundo, ilustrando a oferta de apoio jurídico a militantes nas redes sociais

PT promete advogados para militantes processados por abusos nas redes durante eleição 2026

Na cartilha do PT para militância digital, partido promete fornecer advogados através da Fundação Perseu Abramo para militantes processados por abusos no processo eleitoral de 2026. Tropa jurídica prometida para atender militantes abusivos nas redes não tem paralelo na oposição. “Se fosse na direita, esquerda ia falar em gabinete do ódio”, anotou deputado André Fernandes (PL-CE), criticando assimetria no tratamento de práticas similares.

Estrutura sem precedentes

Fundação Perseu Abramo, financiada pelo PT com recursos do fundo partidário, montará estrutura de apoio jurídico para proteger militantes que extrapolarem limites legais na campanha digital. Iniciativa demonstra profissionalização da guerra digital, com partido assumindo custos de defesa judicial como investimento estratégico. Modelo não encontra equivalente em partidos de oposição, que carecem de estrutura institucional similar.


Críticas sobre duplo padrão

Oposição aponta contradição entre discurso petista contra “discurso de ódio” e prática de proteger militantes que potencialmente cometam abusos. Durante governo Bolsonaro, PT denunciava sistematicamente o chamado “gabinete do ódio” que operava nas redes sociais. Agora, ao institucionalizar defesa de militantes processados, partido é acusado de adotar prática semelhante, apenas com orientação ideológica oposta.

Profissionalização da campanha digital

Iniciativa revela como campanhas eleitorais modernas dependem de atuação agressiva nas redes sociais, muitas vezes testando limites da legislação eleitoral. Promessa de assistência jurídica funciona como incentivo para militantes agirem com mais ousadia, sabendo que terão proteção institucional. Estratégia pode intensificar polarização e elevar temperatura de confrontos digitais durante eleição.

A decisão do PT de fornecer advogados para militantes digitais escancara realidade incômoda: partidos consideram abusos nas redes como parte legítima da estratégia eleitoral, desde que amparados por estrutura jurídica. Para democracia, preocupa normalização de práticas abusivas tratadas como inevitáveis. Se todos os partidos adotarem modelo semelhante, eleição de 2026 pode ser marcada por guerra digital sem precedentes em escala e agressividade.