O hidrogênio verde tem potencial para ser um vetor estratégico na transição energética do Brasil, mas especialistas defendem que esse potencial precisa ser convertido em resultados concretos por meio de ações imediatas. Embora o país tenha uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo — com baixa intensidade de carbono — e vantagens comparativas em energia renovável, existem gargalos estruturais que ainda dificultam sua plena implementação no mercado global.
1. Planejamento coordenado da expansão energética
A primeira urgência identificada é um planejamento coordenado da expansão da rede elétrica nacional para absorver a demanda adicional do hidrogênio verde, que depende de energia renovável para a produção. Projetos de hidrogênio são grandes centros de consumo que exigem mais capacidade eólica, solar e hidrelétrica, o que impacta diretamente o dimensionamento da transmissão de energia. Há risco de que a expansão da rede fique desconectada da implantação dos projetos de eletrolisadores, atrasando o desenvolvimento de hubs estratégicos como Pecém, Suape e Piauí.
2. Consolidação do programa e priorização técnica
A segunda frente prioritária é a consolidação do Programa de Hidrogênio de Baixo Carbono (PHBC), aliada à criação de um mecanismo claro de priorização de carga estratégica. Apesar de avanços recentes na prorrogação do PHBC, gargalos como a “fila de acesso” à infraestrutura energética ainda persistem, gerando incertezas para investidores e empreendedores. Um sistema técnico transparente de priorização ajudaria a alinhar os cronogramas de expansão da rede e o desenvolvimento de projetos que tenham maior impacto econômico e ambiental.
3. Reformas regulatórias e flexibilização de demanda
A terceira urgência está na reforma regulatória para garantir flexibilidade e segurança energética no uso do hidrogênio verde. Por sua operação modular, o hidrogênio pode ser integrado como uma espécie de “bateria virtual” para o sistema elétrico, consumindo energia em momentos de baixo custo e aliviando flutuações de oferta de energia solar e eólica. Reformas que promovam leilões de flexibilidade, sinais de preço locacionais e mecanismos de resposta à demanda industrial são vistos como essenciais para aproveitar essa vantagem competitiva.
Impacto e próximos passos
Especialistas afirmam que essas três frentes — planejamento de rede, priorização técnica e modernização regulatória — são fundamentais para que o Brasil não fique apenas com um discurso de potencial no hidrogênio verde, mas avance com projetos concretos e competitivos no mercado internacional. Para isso, ações coordenadas entre governo, investidores e agentes industriais serão decisivas nos próximos anos, permitindo que o país se posicione entre os líderes da transição energética global.



























































