Caso Master: TCU acata pedido do BC

O Ministro Benjamin Zymler, relator no Tribunal de Contas da União (TCU) do processo que envolve o Banco Master, acolheu nesta quinta-feira (8) o pedido do Banco Central (BC) para manter o sigilo e a autonomia de determinados ritos de fiscalização. No entanto, o magistrado deixou clara sua insatisfação com a forma como a autoridade monetária tem compartilhado informações com a corte de contas.

Tensões institucionais e o sigilo bancário

O núcleo da disputa reside na extensão do poder de fiscalização do TCU sobre as decisões administrativas e prudenciais do Banco Central. Zymler pontuou que, embora respeite a necessidade de sigilo para evitar instabilidades no sistema financeiro, o BC não pode utilizar essa prerrogativa como um “escudo” para impedir o controle externo sobre a legalidade de suas operações.

A insatisfação do relator decorre de episódios recentes onde o compartilhamento de dados foi considerado incompleto ou tardio, dificultando a análise técnica do tribunal sobre possíveis irregularidades em aquisições bancárias. O magistrado destacou que a transparência é um pilar da governança e que o sigilo deve ser a exceção, não a regra absoluta no diálogo entre os órgãos.


Desdobramentos para o setor financeiro

O posicionamento de Zymler é visto por analistas como um sinal de que o TCU pretende apertar o cerco sobre a regulação bancária em 2026. A decisão de acolher o pedido do BC, mesmo sob críticas, evita uma ruptura imediata entre as instituições, mas estabelece um precedente de cobrança por maior clareza nos processos decisórios da autarquia.

A condução do “Caso Master” tem sido monitorada de perto pelo mercado financeiro, pois envolve discussões sobre concentração bancária e a higidez do sistema. O Banco Central defende que suas decisões seguem critérios técnicos rigorosos e que a exposição excessiva de dados sensíveis pode prejudicar a confiança de investidores.

Próximos passos do julgamento

Com o acolhimento do pedido, o processo segue sua tramitação no TCU com as salvaguardas solicitadas pelo BC. Entretanto, a auditoria técnica da corte deve continuar solicitando detalhamentos sobre os critérios de aprovação de operações estruturadas, mantendo a pressão sobre a diretoria da autoridade monetária.