Após 40 anos no oceano, maior iceberg do mundo está prestes a colapsar, diz a NASA
A NASA divulgou nesta quinta-feira (8) uma nova imagem de satélite que indica a fase final de um dos maiores icebergs já registrados. O A-23A, acompanhado por cientistas desde 1986 — quando se desprendeu do continente antártico — apresenta sinais claros de colapso iminente no Atlântico Sul.
Mesmo ainda com cerca de 1.182 km² (área comparável a grandes metrópoles brasileiras), o A-23A vem se fragmentando rapidamente ao longo de 2025. Após permanecer encalhado por mais de 30 anos nas águas rasas do Mar de Weddell, o iceberg se soltou em 2020, ficou retido por meses em uma coluna de Taylor (um grande vórtice oceânico) e, ao seguir para o norte, quase colidiu com a ilha Geórgia do Sul. Depois de um novo período em águas rasas, conseguiu alcançar o oceano aberto, onde o processo de desintegração se acelerou.
Quando se separou da Antártida, o A-23A tinha aproximadamente 4.000 km², o que lhe rendeu por décadas o título de “maior iceberg do mundo”. Desde o ano passado, especialistas já esperavam o colapso. A imagem mais recente revela água acumulada sobre o gelo, sinal típico de enfraquecimento estrutural.
“Certamente não espero que o A-23A dure até o fim do verão austral”, afirmou Chris Shuman, pesquisador aposentado da University of Maryland Baltimore County, ao portal da NASA. Segundo ele, o verão traz temperaturas mais altas do ar e da água, além de céus mais limpos, fatores que aceleram a ruptura em uma região conhecida como “cemitério de icebergs”.
As imagens também sugerem um possível “estouro”: o peso da água acumulada no topo teria criado pressão suficiente para romper as bordas, provocando um “vazamento” visível no satélite. Para os cientistas que acompanharam toda a trajetória do A-23A, o momento é descrito como “agridoce” — o fim de um gigante cuja história foi longa, rara e intensamente documentada.
Apesar do provável desaparecimento do A-23A nas próximas semanas ou dias, outros grandes icebergs da Antártida seguem sob monitoramento contínuo, reforçando a importância dos satélites para compreender a dinâmica do gelo polar e seus impactos nos oceanos.



























































