O tão aguardado acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul — bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — teve sua assinatura adiada para início de 2026, após França e Itália manifestarem objeções e solicitarem mais tempo para discutir salvaguardas para seus setores agrícolas. A decisão interrompe expectativas de que o pacto pudesse ser formalizado ainda em dezembro de 2025, em encontro entre líderes dos blocos.
A negociação, em andamento há mais de duas décadas, visa facilitar o comércio entre dois mercados que englobam cerca de 780 milhões de pessoas e representam aproximadamente 25% do PIB mundial.
Por que a assinatura foi adiada
A principal causa do adiamento é a pressão interna na União Europeia, especialmente de França e Itália, que expressaram preocupações com o impacto do acordo sobre seus agricultores. Ambos os países exigem mais garantias e mecanismos de proteção contra a entrada de produtos agrícolas sul-americanos a preços mais competitivos — como carne bovina, açúcar e aves.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, qualificou a assinatura imediata como “prematura” por ainda não haver salvaguardas suficientemente detalhadas para proteger o setor agrícola italiano, e disse acreditar que as condições para um acordo poderão ser alcançadas em 2026.
Reações políticas e protestos
O adiamento gerou repercussões políticas tanto na Europa quanto na América do Sul. Na França, manifestações de agricultores continuaram mesmo após o anúncio da postergação, destacando insatisfação com políticas agrícolas da UE e a perspectiva de concorrência externa.
Por outro lado, autoridades europeias afirmam que o adiamento não representa um rompimento definitivo, mas sim um tempo adicional para ajustar o texto e construir consensos internos antes da assinatura no início de 2026.
O que está em jogo no pacto
O acordo UE-Mercosul, cujo conteúdo está negociado desde 2019 mas ainda não foi ratificado, prevê redução progressiva de tarifas sobre cerca de 90% das trocas comerciais entre os blocos, além da ampliação de cotas de importação e cooperação em áreas como investimentos e regras sanitárias.
Para o Mercosul, a assinatura significaria maior acesso ao mercado europeu e potencial impulsionamento das exportações agrícolas e industriais. Para a UE, abrir acesso a mercados sul-americanos poderia diversificar importações e reduzir dependência de outras regiões.
Com a assinatura adiada para 2026, o acordo UE-Mercosul entra em um momento de intensa negociação diplomática interna. A necessidade de conciliar interesses agrícolas europeus com os benefícios de um dos maiores acordos comerciais do mundo coloca em evidência a complexidade das relações comerciais globais. O desafio agora é transformar um consenso político em resultados concretos que favoreçam tanto produtores quanto consumidores dos dois lados do Atlântico — sem comprometer padrões sanitários, ambientais ou sociais.





























































