Articulação tenta evitar divisão da Justiça em debate no Ministério da Justiça
Articulação tenta evitar divisão da Justiça em debate no Ministério da Justiça

Articulação tenta evitar divisão do Ministério da Justiça em duas pastas

Nos bastidores do Palácio do Planalto, uma intensa articulação política movimenta assessores e lideranças partidárias em torno do futuro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Com a saída de Ricardo Lewandowski, ganhou força a discussão sobre dividir a pasta em dois ministérios independentes, mas o movimento encontra resistência.

Modelo adotado no governo Temer volta ao debate

A proposta de desmembramento prevê a criação de um Ministério da Justiça e outro da Segurança Pública, modelo adotado durante o governo Michel Temer. Defensores da ideia argumentam que a segurança pública ganhou tamanha complexidade que merece uma pasta exclusiva, com orçamento próprio e equipe técnica especializada no combate ao crime organizado.

Resistências e custos políticos

No entanto, aliados de Lewandowski e parlamentares de partidos da base do governo alertam que a divisão pode representar um retrocesso na integração de políticas públicas. Eles argumentam que temas como sistema prisional, demarcação de terras indígenas e direitos humanos precisam estar articulados com as ações de segurança pública, sob risco de criar conflitos institucionais.


Negociações para sucessão e composição política

Outra frente de negociação envolve a escolha do substituto de Lewandowski. Nomes como o senador Rodrigo Pacheco circulam como possível “prêmio de consolação” por ter sido preterido na disputa pela vaga no STF. A nomeação de Pacheco seria também uma forma de agradar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, facilitando a aprovação de Jorge Messias para o Supremo.

A expectativa é que o presidente Lula tome uma decisão definitiva ainda esta semana, considerando não apenas aspectos técnicos, mas principalmente o impacto político da escolha em um ano eleitoral. A configuração final do ministério pode influenciar diretamente a capacidade do governo de aprovar pautas prioritárias no Congresso e de enfrentar o crescente problema da segurança pública no país.