Cortadores de cana trabalham em plantação de açúcar, ilustrando a pressão sobre commodities agrícolas causada por eventos climáticos e tensões da guerra comercial
Cortadores de cana trabalham em plantação de açúcar, ilustrando a pressão sobre commodities agrícolas causada por eventos climáticos e tensões da guerra comercial

Commodities entram em 2026 sob pressão de clima, eleições e guerra comercial global

 

O mercado global de commodities entra em 2026 sob pressão de riscos climáticos, incertezas políticas e tensões comerciais, segundo relatório da Hedgepoint Global Markets que analisa fatores macroeconômicos e geopolíticos que devem ditar os preços no ano. O mercado seguirá atento às políticas tarifárias do governo americano, com potencial para redesenhar fluxos comerciais, especialmente na relação Estados Unidos e China, que continua sendo epicentro das tensões comerciais e geopolíticas.

Em mercados emergentes, eleições podem alterar dinâmicas regionais. No Brasil, o pleito presidencial e legislativo de outubro tende a ser principal vetor de volatilidade. No campo monetário, bancos centrais devem buscar equilíbrio delicado entre controle da inflação e estímulo ao crescimento econômico. Com Federal Reserve e Banco Central Europeu próximos de estabilizar taxas após cortes em 2025, o Brasil pode iniciar 2026 com espaço para reduzir Selic, projetada para encerrar em torno de doze por cento.

Açúcar sensível ao mix brasileiro

O clima durante desenvolvimento da safra 2026/27 no Brasil será determinante para desempenho da moagem e qualidade da matéria-prima. A paridade e demanda por etanol no mercado doméstico também podem alterar o mix das usinas, elevando ou reduzindo produção de açúcar conforme rentabilidade. Colheita 2025/26 no Hemisfério Norte e decisão da Índia sobre cotas de exportação serão cruciais para fluxos comerciais no início do ano.


A oferta global foi abundante ao longo de 2025. A partir de janeiro, chegada ao mercado da safra da América Central, Oeste Africano, Vietnã e Colômbia tende a aumentar oferta, permitindo leve recomposição dos estoques e trazendo possível pressão nas cotações.

Grãos enfrentam decisões de área

Para soja e milho, o binômio clima-área segue no comando. O avanço do etanol de milho no Brasil adiciona novo piso de demanda, enquanto mix de culturas nos Estados Unidos será decidido pelo pulso de preços até março. Analistas avaliam que decisão de área americana para safra 2026/27 pode favorecer soja em detrimento do milho, dependendo da relação de preços no primeiro trimestre.