Delcy Rodríguez, de 56 anos, tomou posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira, tornando-se a primeira mulher a liderar o país sul-americano. A posse ocorreu três dias após operação militar norte-americana que capturou e removeu Nicolás Maduro, levando-o a julgamento em Nova York por acusações de narcotráfico. O Supremo Tribunal venezuelano ordenou que Delcy assumisse as funções de chefe de Estado por mandato renovável de 90 dias.
Trajetória política no núcleo do chavismo
Formada em direito pela Universidade Central da Venezuela, com pós-graduação em Paris e mestrado em Londres, Delcy é quadro histórico do chavismo. Serviu como ministra das Comunicações, chanceler e, desde 2018, como vice-presidente escolhida por Maduro. Recentemente acumulava cargos de ministra da Economia e presidente da PDVSA, estatal de petróleo venezuelana, posição que assumiu em 2024 após prisões por corrupção na diretoria.
Filha de tradição revolucionária socialista
O pai de Delcy, Jorge Antonio Rodríguez, foi militante marxista torturado e assassinado em 1976 pela polícia política durante regime de Punto Fijo. Delcy tinha apenas 10 anos quando perdeu o pai sob custódia do Estado. “A revolução é nossa vingança pela morte de nosso pai”, declarou em 2018. O irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, é considerado um dos políticos mais influentes do chavismo.
Sinais contraditórios sobre relação com EUA
Delcy mantém discurso ambíguo: reafirma que Maduro é “único presidente” da Venezuela e exige libertação imediata, mas também declara disposição de “colaborar” com administração Trump. Desenvolveu vínculos com republicanos na indústria petrolífera e Wall Street que se opunham à mudança forçada de regime. Trump advertiu que ela “pagará preço maior que Maduro” se não agir conforme demandas norte-americanas.
A ascensão de Delcy representa momento extraordinário na geopolítica latino-americana. Mulher de origem revolucionária, formação acadêmica européia e relações transacionais com militares venezue lanos, ela equilibra-se entre defender legado chavista e negociar com potência que capturou seu antecessor. Os próximos 90 dias determinarão se Venezuela seguirá caminho de confrontação ou busca acordo pragmático com Washington.




































































