Bombardeios em Mukalla marcam ponto de inflexão na segurança do Golfo. Prioridades divergentes sinalizam reconfiguração regional.
Bombardeios em Mukalla marcam ponto de inflexão na segurança do Golfo. Prioridades divergentes sinalizam reconfiguração regional.

Ataques no Iêmen expõem fissuras na coordenação entre Arábia Saudita e EAU

Os ataques aéreos em Mukalla, cidade portuária do Iêmen, representam ponto de inflexão crítico nas dinâmicas de segurança do Golfo, expondo fissuras profundas na coordenação entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A operação militar, cujas origens permanecem disputadas entre as duas nações, sinaliza potencial reconfiguração de prioridades de segurança regional. Analistas apontam divergência crescente sobre como lidar com ameaças houthis e presença iraniana no Iêmen.

Divergências estratégicas emergem

Riade busca prioritariamente estabilização de fronteira norte e contenção de ameaças houthis a território saudita e infraestrutura energética. Abu Dhabi, por outro lado, concentra-se em controlar pontos estratégicos no sul do Iêmen e rotas marítimas vitais para comércio global através do Estreito de Bab el-Mandeb. As diferenças de objetivos, antes gerenciáveis dentro de coalizão anti-houthi, tornaram-se fontes de atrito conforme cada país persegue interesses nacionais específicos.


Competição por influência intensifica-se

Emirados Árabes Unidos construíram rede de aliados locais e bases militares no sul iemenita independente de coordenação saudita. Arábia Saudita, historicamente potência dominante na Península Arábica, vê expansão emiradense como desafio a papel tradicional de liderança regional. Mukalla, porto estratégico que ambos cobiçam controlar, tornou-se símbolo de rivalidade velada que ameaça coesão do Conselho de Cooperação do Golfo.

Implicações para ordem regional

Fratura na coordenação saudita-emiradense complica esforços para conter influência iraniana e estabilizar Iêmen após década de guerra civil devastadora. Estados menores do Golfo observam com apreensão disputa entre dois membros mais poderosos da aliança regional, calculando como posicionar-se em ambiente de segurança cada vez mais competitivo. A desconfiança mútua entre Riade e Abu Dhabi pode abrir espaços para atores externos como Turquia, Qatar e até mesmo Irã explorarem divisões no bloco árabe do Golfo.