A expectativa de crescimento da economia brasileira para 2025 foi revisada para cima pelo mercado financeiro, atingindo 2,25%. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta uma visão ainda mais otimista, projetando um avanço de 2,5% para o ano.
Por trás dessa leve melhora nas projeções, no entanto, está um cenário de desaceleração ao longo do ano, marcado por inflação persistente e um dos mais altos patamares de juros da história recente, que devem continuar a frear a atividade econômica em 2026.
Os setores que impulsionam e os que seguem o crescimento
O desempenho da economia em 2025 é desigual entre os setores. A agropecuária é o grande motor do crescimento, sustentando as projeções mais otimistas. A safra recorde deve fazer o setor crescer 9,6% em 2025, segundo a CNI, e 11% conforme o Banco Central. Por outro lado, a indústria apresenta desempenho fraco e setores em dificuldade.
Enquanto a indústria extrativa (minério e petróleo) avança, a indústria de transformação, mais sensível ao crédito caro e à concorrência internacional, deve crescer apenas 0,7% em 2025. O setor de serviços, de maior peso na economia, tem mostrado resiliência, com projeções de crescimento entre 1,7% e 2%. Seu desempenho é considerado crucial para sustentar a expansão no próximo ano.
Os obstáculos da inflação e dos juros elevados
Apesar do otimismo pontual para 2025, a principal preocupação entre economistas e líderes industriais é com o ambiente de juros altos e inflação persistente, fatores que já estão desacelerando a economia e limitam as perspectivas para 2026.
A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano — o maior patamar desde julho de 2006 — e todas as projeções indicam que será mantida nesse nível até o final do ano. A inflação oficial (IPCA) permanece acima da meta do governo, que tem um teto de 4,5%. Para combatê-la, o Banco Central adotou uma política monetária restritiva, que “esfria” a economia ao dificultar o crédito e reduzir a demanda.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, tem sido um dos críticos mais veementes dessa política. Em entrevista recente, ele classificou os juros atuais como “absurdo” e afirmou que “inviabiliza qualquer continuidade de atividade produtiva, qualquer competitividade”. Para a entidade, este é o principal fator que levará a um crescimento de apenas 1,8% em 2026, o menor em seis anos. Para reduzir a pressão inflacionária, o BC mantém os juros elevados, uma medida que, como efeito colateral, pode dificultar a geração de empregos e frear o crescimento econômico.
Perspectivas para 2026
As projeções para o próximo ano são de continuidade da desaceleração. O mercado financeiro e a CNI convergem para um crescimento de 1,8% em 2026. A CNI projeta que o ciclo de cortes na Selic só deve começar em 2026, com a taxa fechando o ano em 12%. Neste cenário, os juros reais (descontada a inflação) permaneceriam em cerca de 7,9%, um patamar que a entidade considera excessivo e inibidor de investimentos.
O setor de serviços deve continuar sendo a principal força propulsora da economia em 2026, enquanto a agropecuária deve “andar de lado” após o impulso extraordinário de 2025. A indústria, especialmente a de transformação, continuará a ser a mais penalizada pelos custos elevados de crédito. Organismos internacionais como a OCDE projetam um cenário similar, com crescimento de 2,4% em 2025 seguido de uma desaceleração para 1,7% em 2026.

































































