Produto Interno Bruto brasileiro deve crescer apenas um vírgula seis por cento em dois mil e vinte e seis segundo projeção do Banco Central, representando menor expansão desde dois mil e vinte quando pandemia provocou retração de três vírgula três por cento. Desaceleração em relação ao crescimento esperado de dois vírgula dois a dois vírgula cinco por cento em dois mil e vinte e cinco reflete herança de juros extremamente restritivos, incertezas eleitorais e ambiente externo desafiador. Mercado financeiro através do Boletim Focus projeta um vírgula oito por cento, ligeiramente mais otimista, mas todas as estimativas convergem para faixa entre um vírgula cinco e dois por cento. Economia entra em dois mil e vinte e seis sob efeitos do freio de mão da Selic em quinze por cento, taxa que inibe investimentos, encarece crédito e pressiona margens empresariais mesmo com expectativa de cortes graduais ao longo do ano.
Primeiro semestre mais forte que segundo
Padrão sazonal das safras agrícolas deve concentrar crescimento no primeiro semestre, quando colheitas de soja e milho impulsionam atividade. Segundo semestre enfrenta desafios adicionais com campanha eleitoral gerando volatilidade nos mercados e incertezas sobre rumos da política econômica pós-pleito. Analistas descrevem dois mil e vinte e seis como ano em que economia não desaba mas tampouco decola, navegando em zona intermediária de crescimento medíocre insuficiente para gerar empregos robustos ou melhorar significativamente condições de vida da população.
Medidas fiscais sustentam consumo
Isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais, ampliação do Minha Casa Minha Vida e expansão do crédito consignado privado devem adicionar zero vírgula oito ponto percentual ao crescimento segundo XP Investimentos. Governo aposta em estímulos fiscais para compensar efeito contracionista dos juros altos, criando conflito entre política monetária restritiva e política fiscal expansionista. Sustentabilidade desse modelo preocupa analistas que alertam para trajetória explosiva da dívida pública, projetada em oitenta e quatro vírgula três por cento do PIB em dois mil e vinte e oito.
Riscos externos pesam sobre projeções
Desaceleração da economia chinesa de cinco para quatro por cento prejudica exportações brasileiras, já que país asiático absorve trinta e um por cento das vendas externas. Tarifas comerciais impostas por Donald Trump podem distorcer fluxos de comércio e capitais, provocando choques de oferta e desorganizando cadeias produtivas globais. Combinação de juros altos, eleições domésticas e turbulências externas cria ambiente de alta incerteza que leva empresários a adiar projetos de investimento, gerando círculo vicioso de crescimento fraco e produtividade estagnada.
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