O presidente do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, Jerome Powell, afirmou que a instituição foi intimada pelo Departamento de Justiça americano (DoJ) com a ameaça de uma acusação criminal, em meio a uma disputa com o governo do presidente Donald Trump sobre política monetária e juros. A declaração foi feita em vídeo e comunicado divulgado no domingo (11).
Powell disse que as intimações emitidas por um grande júri do DoJ estão relacionadas ao seu depoimento prestado ao Congresso em junho de 2025, quando falou sobre a reforma da sede do banco central, e afirmou que essa ação não teria relação direta com o testemunho ou com as obras.
Pressão política e independência do Fed
O presidente do Fed criticou a ação como uma pressão política sem precedentes, que teria como objetivo influenciar a definição das taxas de juros — um processo que, segundo ele, deveria ser baseado em evidências econômicas e nas condições do mercado, e não em preferências do governo. Powell enfatizou que a ameaça de acusações é consequência do banco central decidir os juros “com base no melhor interesse do público”, em vez de seguir as preferências do presidente.
Powell afirmou que a questão central é se o Fed continuará a definir juros com autonomia ou se a política monetária será moldada por “pressão política ou intimidação”, ressaltando a importância da independência do banco central para garantir decisões técnicas e isentas de interferência política.
Reação dos mercados
A notícia afetou os mercados financeiros: o dólar recuou frente às principais moedas, enquanto o ouro registrou ganhos, em meio a preocupações de investidores sobre a credibilidade e a autonomia da política monetária americana diante da intensificação do conflito entre o governo e o Fed.
A situação representa um momento de tensão institucional nos Estados Unidos, com impactos potenciais na confiança dos mercados e na condução da política econômica, em um contexto em que decisões sobre juros e inflação têm influência global.























