Para Abimaq, acordo Mercosul-UE representa risco para a indústria de transformação

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alertou que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode representar um risco para a indústria de transformação brasileira caso o país não resolva problemas estruturais que reduzem sua competitividade. A assinatura do tratado está prevista para este fim de semana, depois de décadas de negociações.

Preocupações da Abimaq

O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou que a abertura do mercado aos produtos europeus pode ser prejudicial às empresas nacionais, especialmente se as condições de produção no Brasil continuarem afetadas por fatores que elevam os custos, como impostos elevados e taxas de juros altas. Segundo ele, esses fatores tornam a indústria menos competitiva frente aos concorrentes europeus.


“Se, por um lado, é bom para o consumidor final, porque os produtos ficarão mais baratos, e para o agronegócio brasileiro, que tem vantagem competitiva no exterior, esse acordo é um risco para a indústria de transformação”, afirmou Velloso em comentário repercutido por várias fontes jornalísticas.

Desafios e possíveis soluções

Para que a indústria consiga transformar os efeitos do tratado em vantagens, o dirigente destacou que o Brasil precisa atacar deficiências no ambiente de negócios, incluindo redução de custos de produção e melhoria da situação macroeconômica. Isso envolveria ajustes que façam empresas brasileiras competir com produtos importados de alto valor agregado, como máquinas e equipamentos.

Velloso ressalta que, sem tais mudanças, a abertura comercial prevista no acordo pode favorecer principalmente setores que já têm competitividade internacional, como o agronegócio e o varejo de consumo, deixando a indústria de transformação mais vulnerável à concorrência direta.

Oportunidades do mercado europeu

Ainda segundo a avaliação de especialistas do setor, caso o Brasil promova melhorias internas, o acordo com a UE pode abrir acesso a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, com possibilidade de expansão de exportações brasileiras em segmentos específicos, desde que haja condições competitivas e infraestrutura adequada para atender às exigências de padrões e certificações europeias.