A Alemanha condenou nesta segunda-feira declarações do ex-presidente russo Dmitry Medvedev, que afirmou poder prever “operações de sequestro” contra chanceler alemão Friedrich Merz, semelhantes à ação dos Estados Unidos que capturou presidente venezuelano Nicolás Maduro. As ameaças marcam nova escalada na retórica russa contra líderes ocidentais e testam limites da diplomacia em contexto de crescentes tensões.
Medvedev escala retórica anti-ocidental
Vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Medvedev transformou-se em porta-voz de linha dura do Kremlin desde início da guerra na Ucrânia. Suas declarações frequentemente incluem ameaças nucleares, previsões apocalípticas e ataques virulentos contra líderes ocidentais. A mais recente ameaça representa evolução perigosa: não mais advertências abstratas, mas sugestão concreta de operação contra líder de país da OTAN.
Alemanha rejeita intimidação
Governo alemão classificou declarações como “completamente inaceitáveis” e “tentativa de intimidação que não terá sucesso”. Merz, líder da União Democrata-Cristã que assumiu chancelaria após coalizão de Scholz, tem adotado postura mais firme em relação à Rússia. Declarou apoio incondicional à Ucrânia e rejeitou concessões territoriais como base para negociações de paz.
Precedente perigoso de ação dos EUA
Operação norte-americana na Venezuela fornece precedente que Moscou pode explorar retoricamente. Se Washington justifica captura de líder estrangeiro por acusações criminais, Rússia pode alegar simetria ao ameaçar ações similares. A lógica da reciprocidade, mesmo que distorcida, encontra terreno fértil em ambiente internacional onde normas estabelecidas estão sendo desafiadas.
A ameaça russa ilustra como ações unilaterais de grandes potências criam efeitos em cascata. Estados Unidos estabeleceram precedente; Rússia invoca esse precedente para justificar ameaças próprias. A erosão de normas internacionais não ocorre no vácuo: cada violação torna violações subsequentes mais fáceis de racionalizar. O resultado é mundo mais perigoso onde líderes nacionais podem tornar-se alvos legítimos de operações de captura.
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