A varejista norte-americana Saks Global Enterprises, controladora das marcas de luxo Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, entrou com pedido de falência nos Estados Unidos, abrindo proteção sob o Capítulo 11 da lei americana para renegociar suas dívidas e continuar operando enquanto implementa um plano de reestruturação.
A empresa apresentou o pedido na Justiça de Falências do Texas, informando que vinha enfrentando dificuldades financeiras prolongadas devido a um alto nível de endividamento, resultado, em grande parte, da aquisição da Neiman Marcus por aproximadamente US$ 2,65 bilhões em 2024, que deixou o grupo com dívida pesada e vulnerável a choques no consumo de bens de luxo.
Dívida, financiamento e plano de reestruturação
A Saks Global disse que já assegurou cerca de US$ 1,75 bilhão em compromissos de financiamento para apoiar a operação e a reestruturação sob o regime de falência, incluindo US$ 1,5 bilhão de um grupo de credores garantidos e aproximadamente US$ 240 milhões em liquidez incremental garantidos por ativos. Esses recursos devem ajudar a manter lojas abertas e honrar compromissos com clientes, fornecedores e funcionários durante o processo de recuperação judicial.
A empresa também solicitou autorização judicial para adiar a apresentação de suas demonstrações financeiras, ganhando mais tempo para organizar suas operações e revisar sua estratégia de negócios enquanto reduz sua carga de dívida.
Mudanças na liderança e continuidade das operações
Nos últimos meses, a Saks passou por significativa mudança na liderança: seu então presidente executivo, Marc Metrick, deixou o comando em janeiro de 2026 e foi sucedido por Richard Baker, que também se afastou do cargo pouco antes do pedido de falência. O novo CEO é Geoffroy van Raemdonck, ex-executivo da Neiman Marcus, que lidera agora a reestruturação da varejista.
Apesar da falência, a empresa afirmou que não planeja interromper suas operações no curto prazo, com a intenção de continuar honrando programas de clientes, pagamentos a fornecedores e salários de empregados enquanto negocia com credores e redefine sua presença no mercado de luxo.
Contexto do mercado de luxo
A entrada com pedido de falência ocorre em meio a um cenário de retração no consumo de bens de luxo globalmente, com clientes mais cautelosos diante de pressões econômicas, inflação e incertezas macroeconômicas — fatores que têm dificultado a performance de grandes varejistas tradicionais no segmento de alto padrão.
O processo de falência e reestruturação da Saks Global será acompanhado de perto por analistas e investidores, pois pode impactar fornecedores, marcas de moda parceiras e o ambiente do varejo de luxo global, além de refletir desafios mais amplos enfrentados por lojas físicas em um contexto de mudanças no comportamento de consumo.



























































