Saúde Única (One Health): A Interconexão entre Humanos, Animais e Ambiente

A pandemia de COVID-19 e os surtos subsequentes de vírus emergentes mudaram definitivamente a forma como a ciência encara a medicina e a gestão pública. Em 2026, não falamos mais apenas de saúde humana de forma isolada. O conceito de Saúde Única (One Health) tornou-se a abordagem estratégica global para garantir a sobrevivência e o bem-estar no planeta. Como Engenheira Ambiental e estudante de Medicina, vejo nesta intersecção o futuro da prevenção: não há humanos saudáveis em um planeta doente.

O conceito de Saúde Única: Por que não podemos tratar os humanos isoladamente?

A Saúde Única é uma abordagem integrada e unificadora que visa equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde de pessoas, animais e ecossistemas. Ela reconhece que a saúde das pessoas está intimamente ligada à saúde dos animais e ao meio ambiente comum. Cerca de 60% das doenças infecciosas humanas conhecidas são de origem zoonótica (transmitidas de animais para humanos) e 75% das doenças infecciosas emergentes seguem esse mesmo caminho.

Tratar um paciente em um consultório sem entender o contexto ambiental onde ele vive é atuar apenas no sintoma, e não na causa raiz. A abordagem One Health exige que médicos colaborem com engenheiros sanitários, veterinários e ecologistas para monitorar a qualidade da água, a presença de vetores e a saúde das populações animais antes mesmo que o primeiro humano adoeça. A medicina do futuro é interdisciplinar ou ela será insuficiente para os desafios climáticos que enfrentamos.

Doenças Emergentes e o Equilíbrio Ecológico


O desmatamento desenfreado, a urbanização desordenada, o comércio de animais silvestres e as mudanças climáticas forçam espécies selvagens a migrarem para áreas urbanas ou agrícolas. Esse estreitamento de fronteiras facilita o chamado spillover (transbordamento viral). Quando degradamos um habitat, eliminamos predadores naturais e desequilibramos cadeias alimentares, criando o ambiente perfeito para a proliferação de patógenos que o sistema imunológico humano desconhece.

A conservação da biodiversidade atua como um “escudo de proteção”. Em ecossistemas intactos, os vírus circulam entre as espécies selvagens sem transbordar para as populações humanas. Por isso, em 2026, a preservação ambiental é considerada a primeira e mais importante barreira sanitária da humanidade. Proteger uma floresta é, tecnicamente, proteger o sistema hospitalar de um colapso futuro por novas pandemias.

O papel do Saneamento Básico na redução de gastos hospitalares

Como Engenheira, reforço que o saneamento é a base de qualquer política de saúde pública séria. Dados consolidados mostram que cada unidade monetária investida em saneamento gera uma economia de quatro a cinco vezes no sistema público de saúde. O tratamento de efluentes, o acesso à água potável e a gestão correta de resíduos sólidos impedem a contaminação de lençóis freáticos e a proliferação de doenças negligenciadas, como leptospirose, cólera e arboviroses. No modelo de Saúde Única, o engenheiro ambiental é o primeiro “médico” da cidade, garantindo que o ambiente não seja um veículo de patógenos. Sem infraestrutura sanitária, a medicina torna-se uma eterna corrida para apagar incêndios.

Como profissionais de diferentes áreas colaboram neste modelo

Este modelo exige a quebra de silos acadêmicos. Em 2026, a vigilância epidemiológica não é feita apenas em hospitais. Ela utiliza:

  1. Vigilância de Esgoto (Wastewater Epidemiology): Engenheiros monitoram a carga viral nos efluentes urbanos para prever surtos de doenças semanas antes dos sintomas aparecerem na população.
  2. Vigilância Sentinela Veterinária: Identificação de patologias em animais domésticos ou silvestres como alerta precoce para zoonoses.
  3. Climatologia Médica: Análise de dados meteorológicos para prever a expansão de áreas de risco para doenças como malária e dengue devido ao aquecimento global.

Referências consultadas (Atualizadas 2026):

  • OMS (Organização Mundial da Saúde). One Health Joint Plan of Action (2022–2026).
  • OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde). Guia de Implementação de Saúde Única na América Latina.
  • CDC (Centers for Disease Control and Prevention). One Health Framework for Emerging Zoonoses.
  • Apostila IFRS. Gestão de Resíduos e Saneamento Ambiental aplicada à Saúde Pública (Ed. 2025).
Sou mineira com formação em engenharia e atualmente atuo também como redatora de sites de notícias e de esportes. Minha jornada iniciou como servidora pública e logo minha habilidade em escrita e técnica me destacaram em cargos de liderança.