Taxa básica de juros brasileira deve registrar redução dos atuais quinze por cento para doze vírgula vinte e cinco por cento até final de 2026, segundo projeções do mercado financeiro que permaneceram estáveis por três semanas consecutivas. Trajetória descendente marca início de ciclo de afrouxamento monetário após período prolongado de aperto que levou Selic ao maior patamar em quase duas décadas.
Contudo, taxa prevista para encerramento do ano permanece consideravelmente restritiva em termos históricos e continuará encarecendo crédito, estimulando poupança e dificultando expansão mais vigorosa da atividade econômica. Copom enfrenta dilema complexo: cortes demasiado rápidos arriscam desancoragem de expectativas inflacionárias, enquanto manutenção prolongada de juros altos sufoca crescimento e amplia custos sociais do ajuste macroeconômico.
Bancos mantêm spreads elevados
Além da taxa básica determinada pelo Banco Central, instituições financeiras consideram múltiplos fatores ao definir juros cobrados dos consumidores. Risco de inadimplência, custos operacionais e margens de lucro compõem estrutura que frequentemente resulta em taxas finais substancialmente superiores à Selic. Esse spread bancário elevado amplifica impacto contracionista da política monetária sobre famílias e empresas.
Quando Selic é reduzida, tendência é que crédito torne-se mais acessível, favorecendo produção e consumo e estimulando atividade econômica, ainda que com menor controle inflacionário. Mecanismo de transmissão, contudo, opera com defasagens significativas e efetividade variável conforme segmento de crédito e perfil do tomador, dificultando calibragem precisa da dosagem monetária apropriada.
Trajetória de médio prazo
Para 2027, mercado projeta nova queda para dez vírgula cinco por cento, patamar mantido há quarenta e oito semanas sem alterações. Estabilidade prolongada das expectativas sugere confiança em processo gradual de normalização monetária, embora alguns analistas questionem se ritmo será suficientemente rápido para permitir recuperação mais robusta do investimento privado e do emprego industrial.
Em 2028, previsão aponta para nove vírgula oitenta e oito por cento, representando primeira alta após longo período de estabilidade e refletindo ajustes marginais conforme mercado incorpora novos dados sobre comportamento da inflação e crescimento. Mesmo nesse horizonte mais distante, juros permanecerão elevados em comparação com padrões internacionais, perpetuando desafios competitivos para empresas brasileiras e limitando potencial de expansão da economia nacional.



























































