Atendimento em saúde mental na rede pública do DF será ampliado com novos CAPS

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal anunciou a ampliação do atendimento em saúde mental na rede pública, com a inclusão de novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Projeto de Lei Orçamentária de 2026 e obras previstas para fortalecer o suporte à população diante da crescente demanda por cuidados psicossociais.


Demanda crescente e planos de expansão

A expansão dos serviços de saúde mental ocorre em meio a uma demanda crescente por atendimento especializado no Distrito Federal, onde os CAPS registraram mais de 200 mil atendimentos no primeiro semestre de 2026, um aumento de cerca de 11 % em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A Secretaria de Saúde solicitou ao governo a inclusão da construção e ampliação de unidades de CAPS no orçamento do próximo ano, com foco inicial nas regiões de Paranoá, Itapoã, São Sebastião, Jardim Botânico e Jardins Mangueiral, áreas consideradas prioritárias para ampliação da cobertura.



Estrutura atual e cobertura da rede de atendimento

Atualmente, o atendimento psicossocial no DF conta com 18 CAPS, que funcionam com portas-abertas para acolhimento por demanda espontânea. Apesar da presença desses centros, a cobertura de CAPS ainda é considerada baixa em comparação com a média nacional, e diversas regiões administrativas ainda não possuem uma unidade própria.

O tempo médio de espera para consultas especializadas em psicologia na rede pública chega a 270 dias, com mais de 3.700 pessoas na lista de espera, enquanto a demanda por consultas em psiquiatria ultrapassa 10 mil registros, mais que o dobro.


Novas unidades e obras em andamento

Em 2026, estão em construção dois novos CAPS: um CAPSi (para crianças e adolescentes) no Recanto das Emas e um CAPS III (atendimento 24 h) no Gama, com previsão de conclusão ainda no primeiro semestre. Além dessas obras, três novas unidades em fase de licitação devem ser implantadas em Ceilândia, Guará e Taguatinga.

Esses avanços têm como objetivo reduzir a sobrecarga nos serviços existentes e ampliar a capacidade de atendimento territorializado à população mais vulnerável, seguindo critérios técnicos de priorização e disponibilização de recursos.


Desafios no atendimento psicossocial

Especialistas ouvidos apontam que a expansão da rede de atenção psicossocial deve ser acompanhada de ações integradas com a atenção primária à saúde, formação de profissionais especializados e fortalecimento de unidades que atendam crises de saúde mental, inclusive com atendimento 24 h, para além das consultas esporádicas.

A atuação integrada entre CAPS e demais serviços de saúde pode reduzir a sobrecarga na rede e garantir um cuidado contínuo e humanizado para pessoas com transtornos mentais, condição essencial para prevenir situações de risco e promover recuperação efetiva.


🧩 Encerramento

Com a inclusão de novas unidades no orçamento de 2026 e obras em andamento, o atendimento em saúde mental na rede pública do Distrito Federal deve ser ampliado nos próximos anos, enfrentando gargalos históricos de cobertura e fortalecendo o suporte psicossocial para crianças, adolescentes e adultos.